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domingo, 13 de março de 2011

Anapolino de Faria, uma vida de coerência


Anapolino de Faria, médico, filho de família tradicional em Anápolis, sempre conciliou sua atividade profissional com a participação política. Coerente, sincero e sistemático, referência positiva e fez escola na política goiana e nacional. Democrata, mas anticomunista convícto, mesmo assim era admirado e respeitado pelos esquerdistas que o conheceram. Seu compromisso com a democracia foi mais forte que sua ideologia. Desde a primeira hora, se colocou contra o golpe militar de 1964. Nas tribunas da Assembleia Legislativa, Câmara Federal, praças públicas, concentrações simpósios e palestras, se firmou como uma das vozes mais importantes no combate à ditadura.

Anapolino de Faria era respeitadíssimo como cirurgião. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, trouxe para Anápolis a técnica de operação de bócio, que por aqui era endêmico. A hipertrofia da tireoide fazia com que os “papos”, dos mais simples aos de corda, aqueles bem compridos, surgissem deformando as pessoas. Além de afetar-lhes a saúde, diminuía intensamente sua autoestima. Com o médico Anapolino de Faria, o sonho de vida normal, recuperação da beleza estética, sorriu para centenas de indivíduos que foram restaurados como que por milagre.

O respeito e amor que dedicava aos pacientes, maioria oriunda das camadas mais pobres da população, fez com que Anapolino de Faria percebesse que poderia ajudar o povo de forma mais abrangente, através da política partidária. Elegeu-se vereador e foi presidente da Câmara Municipal de Anápolis. A partir daí sua carreira política decolou repleta de vitórias: deputado estadual, deputado federal, prefeito de Anápolis...

Anapolino de Faria foi um dos responsáveis pelo fim do coronelísmo em Anápolis. Em 1969, ficou a favor da candidatura do vereador Henrique Santillo à prefeitura, contra as forças tradicionais e conservadoras do município que queriam Thales Reis, genro do cel. Achiles de Pina. Embora nacionalmente fizesse parte do grupo moderado do Movimento Democrático Brasileiro – MDB, no município, esteve sempre ao lado dos progressistas, ou autênticos, liderados por Henrique Santillo.

Quando foram cassadas lideranças tradicionais da política goiana, como Pedro Ludovico, Olimpio Jayme, Iris Rezende Machado, João Abraão e outras figuras expressivas do MDB, assumiu a presidência regional do partido.

Em 1996, quando me candidatei à prefeitura de Anápolis, ficou ao meu lado, no PSD, mesmo pertencendo ao PMDB. Não concordou com o comando do seu partido em Anápolis, que apoiou Pedro Canedo (PFL) tendo a deputada federal Lídia Quinan(PMDB) na vice. Deixou de apoiar seu amigo e líder de inúmeras eleições, Henrique Santillo, por ser candidato pelo PSDB.

Em 1983, cumprindo dispositivo constitucional o governador Iris Rezende Machado o indicou para assumir a Prefeitura de Anápolis. Assim a prefeitura ficaria com o PMDB, amplamente majoritário em Anápolis e no Estado. A princípio rejeitou totalmente a ideia:

– Não aceito! Não quero carregar essa mancha na biografia.

O convencemos que à frente da prefeitura seria mais um instrumento do povo, pelo retorno de eleição direta no município.

Aceitou a indicação. Deixou o cargo quando o substituí. Fui eleito pelo voto direto em 1985, depois de Anápolis ter perdido por 12 anos sua autonomia política ao ser enquadrada como do interesse à Segurança Nacional, em 28 de agosto de 1973.

Anapolino, eterno apaixonado pela educação, contatava com os mestres de forma direta. Mesmo que o intermediário fosse o sindicato. Egmar José de Oliveira (PCdoB), vereador e presidente do sindicato dos professores, precisava discutir assuntos da categoria com o prefeito. Por não conseguir agendar a audiência, decidiu pressioná-lo, fazendo seu enterro “simbólico.” A manifestação aconteceu em frente ao seu gabinete, na Praça Abílio Wolney. Encerrado o protesto, enterro “simbólico” do prefeito realizado, caixão abandonado no saguão da prefeitura, Egmar foi ao gabinete na tentativa de acertar a audiência. Tomando conhecimento que o presidente do sindicato estava à sua procura, determinou ao secretario Nelson Gomes que o conduzisse à sua presença. Egmar adentrou à sala todo sorridente. Anápolino, em pé, atrás da sua mesa de despacho, antes que houvesse o aperto de mãos:

– O senhor deseja marcar audiência, não é?

– Sim, prefeito! Há questões importantes que precisam ser discutidas.

– O senhor deveria saber que defunto não concede audiência...

domingo, 6 de março de 2011

Onça e coruja perturbaram o secretário

Oscar de Azevedo Júnior foi secretário de Meio Ambiente da prefeitura de Anápolis de 1997 a 2000. Médico competente e muito conceituado, sempre se preocupou com a preservação da natureza. Na sua propriedade rural, no Tocantins, não admitia corte de árvores e nem caçadas. Os vizinhos o conheciam e nem sequer andavam armados na sua propriedade. Geralmente avisava aos seus auxiliares quando ia à fazenda. Todos que sabiam do seu amor aos animais e à natureza o respeitavam.

Sem ter como contatar seus subordinados, resolveu passar final de semana no Tocantins. Chegando, encontrou no quintal uma onça pintada estirada quase à porta da cozinha. Os vizinhos mataram o animal que vinha devorando bezerros e carneiros, na região. A onça morreu no pequeno pomar da fazenda. Ficou bastante contrariado, mas aceitou a violência dos confrontantes. Pediu aos auxiliares que tirassem o couro do animal. Depois de curtido e seco o levou para sua residência, em Anápolis. Todos que o visitavam ouviam a história da morte da pintada e a razão do seu couro na sala.

Simples e solícito, era querido por todos da secretaria. No seu aniversário, os amigos convidados pela Toninha, sua esposa, foram à sua residência. Oscar estava eufórico com a surpresa que Toninha lhe preparara. Durante a festa, soube que seus companheiros de secretaria haviam convidado o diretor estadual do Ibama para a confraternização. A partir desse instante Oscar desapareceu. Quando Toninha sentiu sua ausência, o procurou no quarto do casal, encontrando-o:

– Oscar, os convidados estão aí e você some ?

– Toninha, matar animal silvestre é crime inafiançável!

– Qual é o problema ?

– O diretor do Ibama está vindo aqui e vai ver o couro da onça estendido na sala.

Toninha guardou o couro no guarda roupa e o trancou. Só assim o aniversariante voltou a participar da festa em sua homenagem.

No outro dia, sábado, foram ao casamento do filho de um casal amigo em Goiânia. Ficaram até tarde participando da festa. Retornando a Anápolis às 4 horas da manhã. Cansado e com sono, Oscar vedou toda claridade que pudesse passar pela janela e alertou a esposa que só acordasse na hora do almoço. Fez tudo que achava necessário para ter sossego e paz. Esqueceu-se de pequeno detalhe: desligar o telefone fixo da tomada. Assim que pegou no sono o telefone tocou:

– É da casa do secretário municipal de defesa do Meio Ambiente?

– Sim, é da casa do secretário.

– Aquí é Isabel. Preciso falar com ele com urgência!

– Dona Isabel, a senhora está conversando com ele.

– É o dr. Oscar, não é?

– Sim...

– Dr. Oscar, essa noite eu cheguei tarde em casa e encontrei uma coruja no jardim...

– Parabéns, a senhora a protegeu de gato ou qualquer outro perigo...

– Parabéns coisa nenhuma! A coruja está com a asa quebrada. Telefonando para minha vizinha, ela disse que essa noite assistiu a um programa de televisão em que uma pessoa foi presa no Paraná por ter matado um pássaro. Me disse ainda que para esse tipo de crime não há fiança. Me garantiu que nesse caso é prisão mesmo...

– Dona Isabel a senhora procure uma delegacia de polícia perto da sua casa e faça o registro do ocorrido e assim estará livre...

– Já estive na delegacia, mas o plantonista me afirmou que esse tipo de ocorrência não é com a polícia civil...

– A saída então é acionar o Corpo de Bombeiros...

– Já entrei em contato com os Bombeiros, mas me esclareceram que eles só atuam quando algum animal está aprisionado em condição de risco ou pondo a vida de alguém em risco. Me disseram que esse não é o caso, pois a coruja depende é de atendimento médico veterinário...

– A senhora vai telefonar para o presidente da Associação de Defesa do Meio Ambiente, Amador Abdalla...

– Foi ele que me forneceu o telefone para que conversasse com o senhor.

Nessa altura já aceso, sono espantado para muito tempo, sem saber a quem indicar dona Isabel, que desde às 22 horas daquela noite não parara um minuto na incansável luta para se desfazer da coruja acidentada, Oscar deu a solução:

– Dona Isabel, investido da autoridade que o cargo me dá, autorizo a senhora a ficar com a coruja em sua casa. Caso aconteça o pior, assumirei inteiramente perante às autoridades legais a responsabilidade pelo acontecido.

Deitou-se quando já havia passado das 5 da manhã. Antes de dormir teve o cuidado de desligar o telefone da tomada.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Beleza da natureza está sendo destruída

Quando criança em Anápolis, até por falta de outras opções de lazer, o que mexia com a adrenalina da meninada era visitar ou tomar banho na represa dos Fanstone, na saída para Nerópolis. Parte mais larga e profunda do Antas, principal córrego que corta o setor central da cidade, com suas águas cristalinas e caudalosas tornava-se atração irresistível. De nada valiam as admoestações dos pais ou a bronca dos administradores da chácara. Conseguíamos com muita criatividade vencer os empecilhos. Nosso medo, verdadeiro temor, sempre foi de ser retirado da represa sem roupa, pelo Cazuza. Inspetor de criança e adolescente, designado pelo juiz da Comarca, cumpria com rigidez suas atribuições. Levava o infrator à sala do juiz para ser advertido. O herói das crianças e adolescentes à época, o menino Bengala, garoto destemido e gozador, tinha como principal passatempo desafiar Cazuza. Fazia a alegria dos que não tinham a mesma coragem e disposição. Esse temor da garotada a Cazuza, nasceu com a história, verdadeira lenda que corria entre a garotada, garantindo que ele levara um menino, totalmente nu, apreendido na represa, ao gabinete do juiz.

Com o passar do tempo, por estar situada em local estratégico no Município, a represa se transformou no primeiro reservatório para captação e distribuição de água tratada em Anápolis. O serviço municipalizado realizado pela Superintendência Municipal de Saneamento – Sumsan, funcionou até 1972, quando o serviço foi transferido à Saneago, por imposição do governo federal. Com a chegada do progresso, locais cobertos por Cerrado e pequenas reservas de mata nativa, cederam lugar à expansão urbana. Foi retirada toda vegetação. Loteamentos como Nações Unidas, São Joaquim, Parque das Primaveras, Novo Paraíso, Paraíso, Calixtolândia e Polo Centro I e II, os mais antigos próximos à nascente do Antas, assorearam o leito do córrego, levando cascalho, terra, lixo e entulho à represa. Em pouco tempo, a reserva caudalosa de águas cristalinas, ornamentada pelas aves multicoloridas, desde a brejeira saracura aos sofisticados curiós e bicudos, com suas infindáveis e afinadas sinfonias, desapareceu. Surgiu um depósito de lama fétida num pântano colossal. Degradação total da maior riqueza natural do município. Córrego que saciou a sede de tropas e tropeiros que abrigavam às suas margens, para descanso nas incontáveis viagens que faziam de Jaraguá e Pirenópolis, rumo a Bonfim, hoje Silvânia.

Como prefeito da cidade, assistindo na memória o que o tempo não apagou, reprise do DVD das imagens bonitas da infância, decidi recuperar a área degradada. Adquiri mais de 90 mil metros quadrados em toda extensão da antiga represa. Milhares de toneladas de lama podre retiradas, até que ganhasse sua forma original. Através do escultor Laerte Gariboti, responsável pelas principais esculturas particulares e públicas da cidade de Caldas Novas, um conjunto dessa obra de arte foi construído no local. Cascatas, cavernas e até uma ilha no centro do lago. Portal de entrada do parque é uma verdadeira obra de arte. A lagoa recebeu peixes próprios da região. Pista para passeio de pedestres, ciclistas e um trenzinho que levava as crianças nas visitas, sempre acompanhadas de guia, narrando a história do Antas e necessidade de se preservar a natureza. As escolas públicas e particulares, de Anápolis e municípios vizinhos, faziam programação antecipada de visitação ao parque. Árvores centenárias preservadas. Havia parque infantil e prédio que abrigava a Polícia Interativa. Para evitar assoreamento do lago principal, construímos aterro com passagem para os pedestres de uma margem à outra. Demos à obra o nome do empresário e político Onofre Quinan.

Hoje, o Central Parque Onofre Quinan, “cartão-postal” de Anápolis. Local de visitação e orgulho dos anapolinos, é apenas uma caricatura do que foi. A represa voltou a ser assoreada por terra e cascalho lançados ao leito do córrego, principalmente pelas obras da Ferrovia Norte-Sul. As cascatas secaram, as flores desapareceram, o trenzinho virou fumaça, sua escuridão noturna é paraíso de desocupados e usuários de drogas, as pistas deterioraram, os peixes morreram, os macacos famintos foram transferidos do local por agredirem os visitantes. Até o busto do homenageado Onofre Quinan foi roubado. É o descaso total com uma das partes mais importantes e bonitas da história de Anápolis.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Porto Seco de Anápolis, aposta que deu certo

Um grupo de empresários goianos tomou decisão arrojada quando participou da concorrência pública para a exploração da Estação Aduaneira do Interior –EADI de Anápolis. No início era apenas uma ideia. Praticamente um tiro no escuro. Os portos secos existentes pelo interior do Brasil funcionavam precariamente. Alguns meses antes da licitação do Porto Seco de Anápolis, a licitação da Estação Aduaneira de Brasília foi lançada e ninguém se interessou em participar. Os custos com construção de prédios, graneleiros e malha ferroviária seriam altíssimos. Tivesse sido instalado, o de Goiás estaria inviabilizado.

Como prefeito, acompanhei todos os passos para a instalação da Estação Aduaneira de Anápolis. Estivemos algumas vezes no gabinete do secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, em Brasília. Queríamos a concorrência pública. O governador Maguito Vilela defendeu nossa solicitação para que o Porto Seco fosse instalado em Anápolis.

Voltamos à Receita Federal solicitando alteração na portaria que, inicialmente, não permitia importar ou exportar produtos a granel. Realizada a concorrência pública e ampliadas as atribuições da futura aduaneira, só um grupo se interessou, participou e venceu a licitação.

A portaria estabelecia que a Eadi ficaria no Daia ou suas proximidades. Teria que contar com área administrativa, graneleiros, amplo pátio de estacionamento e rede férrea ligando à rede ferroviária federal. Investimento orçado em alguns milhões de reais.

Pelo empresário Gilson do Amaral Brito, fomos informados que o Ministério dos Transportes leiloaria o patrimônio da RFF instalado no Daia. Imóvel contando com a linha férrea, graneleiros, prédio administrativo, pátio para estacionamento. Dispunha de toda infraestrutura exigida pela Receita Federal. Com pouco investimento, estaria apto a abrigar a aduaneira. Era necessária uma ação política junto ao presidente da Rede Ferroviária, no Rio de Janeiro. A participação do ministro da Justiça, Iris Rezende Machado, foi decisiva. Defendeu o interesse de Anápolis junto ao ministro dos Transportes, Eliseu Padilha.

Fomos ao Rio de Janeiro conversar com o presidente da RFF, Eliseu Rezende. Me acompanharam Air Ganzarolli, vice-prefeito, e o procurador municipal Roldão Cassemiro. Ficou decidido que a rede não leiloaria seu imóvel em Anápolis. O temor era de que, com o leilão, algum grupo de fora arrematasse o imóvel. Isso inviabilizaria a instalação da aduaneira. Ao mesmo tempo acertamos que o imóvel seria alugado à prefeitura e repassado ao grupo vencedor da concorrência, que arcaria com as despesas. Ficou assim viabilizada sua instalação. No final do governo Maguito Vilela, a Rede Ferroviária Federal permutou com o Estado seu patrimônio em Anápolis pela dívida de ICMS que tinha com o Tesouro estadual. O Porto Seco está instalado num imóvel público do Estado.

Edson Tavares, superintendente da Estação Aduaneira, afirma que o Porto Seco de Anápolis é hoje o 3º maior do Brasil dentre os 62 existentes. 90% das atividades da Eadi anapolina são com importações e 10% em exportações. Importações de máquinas e equipamentos, automóveis, peças para veículos e insumos químicos farmacêuticos para os laboratórios de Anápolis, Aparecida de Goiânia e Goiânia representam 96% das suas atividades. A receita do Porto seco tem aumentado ano após ano. Em 2006 foram US$ 243 milhões; 2007, US$ 526 milhões; 2008, US$ 1 bilhão; 2009, US$ 1,11 bilhão e 2010, US$ 2,05 bilhões.

Tem servido como grande atrativo para a vinda de investidores a Goiás. A Caoa/Hyundai, além das facilidades fiscais que lhe foram oferecidas pelo Estado, levou em conta a presença da aduaneira anapolina. O vice-presidente de administração e country manager Brasil da Yamana, Arão Portugal, da Mineração Maracá Indústria e Comércio, instalada no município goiano de Alto Horizonte, confirma isso ao afirmar: “Desenhamos um sistema logístico voltado para o modal ferroviário e o Porto Seco de Anápolis foi determinante em nossa estratégia, tendo em vista sua excelência operacional.”

Sinto-me orgulhoso de ter participado dessa grande obra que está revolucionando o crescimento econômico de Goiás.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Terceiro Lugar

Em 1972, o prefeito Henrique Santillo desejando modernizar e ampliar o serviço de água e esgoto do município de Anápolis, pleiteou financiamento junto à Caixa Econômica Federal. Administrava o serviço a Superintendência Municipal de Saneamento - Sumsan. Esbarrou na exigência da Caixa de só financiar projetos que pertencessem às empresas estaduais. Não tendo outra alternativa e para não prejudicar a população, o prefeito transferiu para a Saneago o comando do serviço de água e esgoto e todo patrimônio que pertencia à Sumsan.

Como governador em 1987, portanto há 24 anos, o destino reservou a Henrique Santillo realizar o que planejara como prefeito.

Implantou no município importante sistema de captação e tratamento do esgoto domiciliar. Foram aplicados mais de cem milhões de dólares. Maior obra pública realizada em favor da população em todos os tempos. Tudo financiado pela Caixa Econômica Federal. A rede coletora que existia até então, atendendo precariamente o setor central da cidade, foi toda refeita por rede moderna, resistente e de grande vazão. Todos os bairros existentes e minimamente habitados foram beneficiados. Quase toda área territorial urbana existente recebeu o serviço de esgoto. O sistema recebeu moderníssima estação de tratamento. Sepultado de uma vez por todas o esgotamento, sem qualquer tratamento, esgoto que era despejado no córrego das Antas sem tratamento, agora voltava com águas cristalinas ao córrego. Esse serviço extraordinário aliado ao abastecimento de água potável às regiões da Jaiara, Alexandrina, Boa Vista, Santa Isabel, Jardim América, Santa Maria de Nazereth, Fabril e dezenas de outras, pelo sistema do Ribeirão Piancó, realizado na administração de Iris Rezende Machado, foram marcantes para melhorar a condição de vida dos anapolinos. Os mais de quatro milhões de metros quadrados que fizemos de asfaltamento na cidade consolidaram essa melhoria.

Mortalidade infantil caiu. Doenças respiratórias e todas aquelas originárias da falta de infraestrutura sanitária como diarreia, hepatites, dengue e poliomielite foram reduzidas a níveis das cidades desenvolvidas.

Passados 24 anos da execução daqueles serviços, pouco ou quase nada foi acrescido ao que existia. A extensão do serviço de água potável que houve foi realizada na administração de Maguito Vilela, governador, e nossa como prefeito, em 1998. Aproveitando o excedente da água do Distrito Agroindustrial de Anápolis-Daia, foram atendidos bairros como Santo André, São João, Calixtolândia, Polo Centro, Vivian Parque, Calixtópolis, Vila União, Paraíso, Novo Paraíso, Parque das Primaveras, Mariana e outros. Atendimento que é emergencial e precário poderá ir ao colapso com a inclusão do residencial Copacabana, com 1.300 residências do programa Minha Casa, Minha Vida, que também será abastecido pelo mesmo sistema do Daia.

Essa falta de investimento em saneamento em Anápolis nestes últimos 24 anos, conforme dados do Sistema de Informações em Saúde, do Ministério da Saúde, está provocando graves consequências à saúde dos anapolinos. Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, sobre Esgotamento Sanitário Inadequado e Impactos na Saúde da População, em municípios com mais de 300 mil habitantes, revela que Anápolis está entre os município com a maior incidência de diarreia, provocada por falta de saneamento. São 325,7 internações para cada grupo de 100 mil habitantes. Três vezes mais que a média brasileira de 107,4 internações por diarreia, para cada grupo de 100 mil habitantes. O município ocupa o lamentável 8º lugar, a nível nacional, em pessoas com diarreia, por falta de saneamento. Quando se trata dos custos dessas internações para a saúde pública, a diarreia causada pela falta de saneamento em Anápolis fica em 3º lugar. Só gastam mais que Anápolis, no tratamento à diarreia, Vitória da Conquista (BA) e Maceió (AL).

Anápolis, em 2003, treze anos após Henrique Santillo ter construído essa importante obra, ocupava o 16º lugar entre os municípios goianos mais bem servidos pelo serviço de esgoto. Em 2008, data em que a pesquisa foi realizada pelo Ministério da Saúde, caiu para a 47ª posição. Culpa da falta de investimento em saneamento e expansão desordenada de novos loteamentos. População convivendo com fossas e cisternas, sofrendo diversas doenças que já não existem no mundo civilizado. Hoje, pelo exagerado crescimento urbano e ausência de saneamento, a situação é mais dramática que em 2008. Está passando da hora de o poder público agir, tomando as necessárias providências. Anápolis que já foi referência de cidade mais bem servida de saneamento em Goiás, ocupa hoje o humilhante terceiro lugar no Brasil, em gastos com internações por diarreia, pela falta de infraestrutura sanitária. Essa posição é um dado relevante de alerta. Não podemos deixar que o troféu de campeão nacional da diarreia venha para Anápolis na próxima pesquisa.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Dom Manoel Pestana Filho Cumpriu Sua Missão

Lembro-me do dia em que o bispo Manoel Pestana Filho foi apresentado aos católicos e a toda sociedade anapolina, em substituição a dom Epaminondas de Araújo. Estava implantada a diocese de Anápolis e seu primeiro bispo, dom Epaminondas, seguia para a Paraíba, dando seqüência ao seu trabalho pastoral. Num palanque montado à frente da Igreja do Bom Jesus, o povo, tomando conta da praça na Avenida Goiás, emocionado, se despedia, carinhosamente, do bispo que saía e vibrava com o novo que chegava. Ruas enfeitadas, banda de música, coral cantando músicas sacras e muitos discursos de boas vindas. Eu estava lá.

Transcorria o ano de 1979. Exercia meu segundo mandato como deputado federal. Fazia parte da bancada do MDB. Um dos representantes do meu partido em Santos, Athiê Jorge Cury, presidente do Santos Futebol Clube, estava presente às festividades. Dele recebi as melhores referências sobre o novo anapolino que chegava. Por ser amigo de dom Manoel Pestana Filho e toda sua família, fez questão de saudar o padre, seu amigo, agora sagrado bispo. Dom Manoel foi o segundo bispo da diocese e só se afastou das funções depois de 25 anos de bispado. Afastou-se cedendo o lugar a com João Wilk, mas continuou residindo em Anápolis como bispo Emérito. Grande expoente da ala conservadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mesmo assim, foi sempre discreto nas suas ações políticas partidárias. Defensor intrasigente da vida, da família e seus valores morais e das liberdades democráticas. Pró-Vida foi idealizado e criado por ele para, principalmente, combater o aborto. Quando se debatia na Câmara dos Deputados a descriminalização do aborto, o grupo de Anápolis, liderado por dom Manoel Pestana, por meio do padre Lodi, teve papel de destaque na vanguarda anti-aborto. Em muitas ocasiões teve mais destaque nos noticiários nacionais e internacionais que os próprios parlamentares. Ficou famosa aquela cena em que padre Lodi discursava com um garotinho ao seu lado, fruto da violência sexual de um estuprador contra a mãe do garoto:

"Nesse caso, se a lei tivesse sido usada não teríamos essa criança saudável e inteligente aqui"- diziam os integrantes do Pró-Vida. Dom Manoel Pestana Filho não fazia concessão.

Como deputado, secretário da Educação ou prefeito, sempre tive boa convivência com ele. Pequena divergência ocorreu quando montamos em Anápolis o mais avançado programa de saúde da mulher, por meio do Centro Integrado da Mulher - CIM. Além de cuidar da prevenção ao câncer de mama e do cólo do útero, o CIM assistia às mulheres no seu planejamento familiar, oferecia várias modalidades de anticonceptivos e métodos aprovados pela classe médica, Anvisa e recomendados pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial de Saúde. Dentre eles o Dispositivo Intra Uterino - DIU.

Contra sua utilização no planejamento familiar, padre Lodi se insurgiu. Ganhou dimensão extraordinária e incontrolável, pondo em rsico todo o serviço prestado pelo Centro Integrado da Mulher. Especialistas em saúde da mulher, como José Aristodemos Pinotti, Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde, faziam as melhores referências e avaliações do programa. Sua extinção lançaria ao abandono e risco a vida de milhares de mulheres, principalmente de baixa renda, que dependiam dos serviços de saúde prestados pelo CIM.

Fomos, Onaide e eu, conversar com dom Manoel Pestana. Tomamos do seu café. Nos ouviu atentamente. Ao final, lhe perguntei:

- Dom Manoel, o senhor quer que a prefeitura desative o CIM?

- Não! Ele presta relevante serviço social em favor da saúde da mulher.

- Por que então essa campanha de combate sistemático aos serviços prestados por ele? O senhor é contra o planejamento familiar?

- Adhemar, somos contra o DIU, ele é abortivo! Você está aí de terno, muito bem trajado. Se ao tomar café deixar que caia no seu paletó, ninguém vai prestar atenção na elegância da sua roupa. Todos prestarão atenção na mancha deixada pelo café.

Dom Manoel Pestana Filho já tinha feito seu juízo de valor. Para ele o DIU era abortivo e tinha de ser combatido. Para não extinguir um programa de grande alcance social, programa qie já havia detectado precocemente câncer em centenas de mulheres que foram curadas pelos serviços prestados pelo CIM, enviei um projeto de lei à Câmara Municipal excluindo o DIU dos métodos de anticonceptionais fornecidos pela rede de saúde pública municipal.

Quando concorri, e não venci, a eleição de 2000 para a prefeitura de Anápolis, recebi correspondência de dom Manoel, timbrada com sinete da diocese, me parabenizando pelo trabalho realizado em favor do município, lamentando o insucesso na disputa.

Dia 8 de janeiro, no seio da sua família em Santos, dom Manoel nos deixou desta para outra morada. Tão concorrida quanto sua chegada, foi sua despedida, dia 10, na Igreja do Bom Jesus. Diferença que quando chegou a comunidade católica o saudava alegre e eufórica. Debaixo de sol escaldante, ele silenciosamente enxugava o suor que descia do rosto se misturando às lágrimas que derramava. Na sua partida, os fiéis, com soluço engasgado na garganta, derramavam lágrimas de dor e saudade. Ele, ao contrário, mostrava no semblante serenidade e alegria por estar indo ao encontro do Pai.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Agasalhe, ou Deixe o Povo Trabalhar

Quando assumi a Prefeitura de Anápolis, em janeiro de 1986, encontrei cadastrados no município, 96 ambulantes instalados nas ruas centrais da cidade. Os comerciantes, principalmente lojistas, que pagam regularmente os impostos, encargos trabalhistas, aluguel, água e luz, gritavam contra a concorrência desigual praticada pelos camelôs, principalmente dos que congestionavam a porta da sua loja. Era questão relativamente pequena para uma cidade grande como Anápolis. Tinha que ser equacionada antes que a situação piorasse. Construímos o Camelódromo num estacionamento existente no complexo da Praça Americano do Brasil. Todos os que trabalhavam ao ar livre, nas ruas, foram instalados naquele local. Os atritos desapareceram, os ambulantes passaram a ter local certo de atuação para seus fregueses e saíram da informalidade, gerindo seu próprio negócio.

Retornando à prefeitura em 1997, para o segundo mandato, novamente ambulantes espalhados pela cidade inteira, vendendo desde CDs piratas, produtos do Paraguai, a roupas finas. Mais uma vez determinamos que no imóvel pertencente ao município, com mais de 1.500m² na Rua General Joaquim Inácio, ao lado do Terminal Urbano, fosse construído o Centro Comercial Popular, onde acomodamos mais de 350 ambulantes. Local de movimento popular intenso, os comerciantes todos na formalidade, fazem juntamente com os integrantes do Camelódromo, a alegria dos que procuram produtos com preços inferiores. Com satisfação contam inúmeras histórias de sucesso comercial. Alguns já conseguiram formar filhos em cursos superiores. Outros compraram casa própria e melhoraram de vida.

Hoje, pelas ruas de Anápolis, sem medo de errar, existem centenas de novos ambulantes. Há setores no centro, em que os camelôs ocupam praticamente de dois a três quarteirões de calçadas. Vende-se de tudo nessa que é a maior feira livre permanente do Estado. Para os que conhecem a “Feira de Caruaru” celebrizada pelo Rei do baião, Luiz Gonzaga, dizem que a de Anápolis nada fica a dever à famosa feira do interior pernambucano. Vende-se qualquer tipo de bugiganga. Desde alfinete, retrós, canivete corneta a gorrinhos vermelhos com bolinhas luminosas para fantasia de Papai Noel. De frango caipira a ovos de codorna. Frutas nacionais, importadas e muita planta medicinal. Em algumas dessas bancas de ervas, para a retirada de calo encravado a cura de diabetes a freguesia é cativa. Enquanto o poder público municipal não constrói um local para abrigá-los, os ambulantes crescem sem parar. “É sinal de vitalidade da economia no município”, dizem alguns. “Mesmo que hajam especuladores alugando o trabalho de algum desempregado para tomar conta da banca, vale a pena, pela maioria que retira o sustento da família com seu trabalho”, garantem outros.

Esse é momento do ano mais esperado por qualquer comerciante, esteja na formalidade ou ambulante. Chegada das festas de final de ano. Tempo para ganhar alguns reais a mais. Nem todos estão alegres e sorridentes. Vendedores da feirinha artesana estão revoltados. Justamente agora, em que todos pregam a paz. Receberam ultimato da administração municipal para que saiam da Praça Abilio Wolney, onde encontra-se o prédio principal da prefeitura. Trabalham naquela área há vários anos. Essa feira que comercializa produtos artesanais, principalmente roupas, funciona há mais de 20 anos, em Anápolis, aos domingos. Se consolidou junto à população anapolina e das cidades vizinhas. Réplica da Feira Hippie de Goiânia que se multiplicou em Feira da Lua e Feira do Sol.

O que mais tem desesperado os artesãos é o argumento de que por trabalharem debaixo de barracas de lona, deixam a praça com aspecto feio.

Todos os prefeitos que administraram o município nos últimos anos, os apoiaram. Nenhum os impediu de trabalhar. Os artesãos esperam que o prefeito do Partido dos Trabalhadores, não venha colocá-los à ociosidade, ao desemprego, sem renda no Natal, por trabalharem fora do padrão de estética.

0 exigido pelas autoridades municipais.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

É Preciso Ser Ousado

O prefeito municipal é o agente público mais exigido pelo povo. Por estar mais perto e diretamente envolvido com as questões que mexem com a vida dos cidadãos as cobranças são permanentes. Por isso, muitas vezes é obrigado a adotar medidas que ultrapassam sua área de administração.

A inexistência de viaduto e até mesmo de uma simples rotatória, na BR-153 ligando Anápolis City com Bairro de Lourdes, acidentes pavorosos aconteciam naquele trecho da rodovia federal, todas as semanas, causando dezenas de vítimas. Cansado de cobrar das autoridades federais e não ser atendido, o prefeito Wolney Martins decidiu investir parte dos poucos recursos disponíveis no Tesouro municipal para resolver o problema. Toda obra foi paga pelo município. A administração estadual colaborou em parte na movimentação de terra. Foi trabalho ousado e fundamental na preservação da vida dos que diariamente transitavam e transitam pelo local.

Ao suceder Wolney Martins acertei com o governador Maguito Vilela que faríamos pelo Dergo o anel viário de Anápolis. Basílio, arquiteto do Departamento de Estradas de Rodagens do Estado de Goiás, elaborou o projeto. Sairia da BR-060 em frente ao Calixtópolis encontrando com a BR-153 no trevo da saída para Brasília, até à proximidade da entrada ao povoado de Miranápolis. Dali cortando região rural do município até atingir o ponto inicial do anel, próximo ao posto Presidente, na BR-060. O Dergo realizou a concorrência pública e os serviços tiveram início pela abertura da segunda pista da BR-153, a partir do trevo que liga Anápolis a Brasília.

Contando com a decisiva colaboração dos meus ex-companheiros da Câmara Federal, Odacyr Klein – ministro dos Transportes e Tarcisio Delgado, diretor presidente do DNER, conseguimos repassar a obra para o ministério dos Transportes. Muito importante foi a participação de Iran Saraiva, ministro do Tribunal de Contas da União – TCU, desembaraçando junto ao Ibama, questões sobre preservação ambiental. Toda formalidade legal para a continuidade da obra foi agilizada pelo ministro, junto ao TCU.

Graças ao trabalho arrojado que a prefeitura de Anápolis e o governo estadual realizaram para construção da obra, contamos com o trecho da BR-153 duplicado do trevo que liga Anápolis a Brasília até próximo a Interlândia. O viaduto Ayrton Sena, construído na administração Wolney Martins, foi duplicado. Da mesma forma nova ponte construída sobre o córrego das Antas, ao lado da sede campestre do clube Lírios do Campo. Essa nossa decisão ousada e determinante ensejou a construção de outras obras valiosas no setor de transporte em Anápolis: viaduto na BR-153, cruzamento com a BR-414 que liga Anápolis a Corumbá de Goiás e viaduto no trevo ligando BR-153 à Vila Jaiara, principal ligação de Anápolis com o norte do Estado.

Firme tomada de posição pelo atual comandante do poder público municipal está sendo aguardada pelos anapolinos, para a continuidade normal dos serviços. O Denit está devagar, quase parado na execução de obras de menor complexidade e de muita importância para o município. Trincheira e passarela ligando os bairros Jardim Progresso ao Parque dos Pirineus estão paralisadas há meses. Denit não dá qualquer esclarecimento do porque de tanto atraso. Trecho da BR-153, do início da BR-414 ao trevo Vila Jaiara tem sido palco de inúmeros acidentes com vitimas fatais. A população do parque dos Pirineus encontra-se totalmente ilhada. As crianças do parque estudam no Jardim Progresso, têm que atravessar as duas pistas da rodovia e pistas auxiliares sem nenhuma segurança. Foram instalados na BR-153 todos os postes e luminárias no trecho compreendido entre trevo saída para Brasília à Vila Jaiara, há pelo menos seis meses. Não há sequer previsão de quando a iluminação funcionará. Da mesma forma o trevo no final da Avenida Universitária e início da BR-414 precisa de reformulação completa e imediato sistema de iluminação. Denit não soluciona o problema e sobre eles nada comenta. Para a iluminação da rodovia e do trevo estão faltando transformadores. Celg e Denit não se acertam. Sem interferência enérgica do poder público municipal as pequenas, mas importantes pendências se perpetuam. O Executivo municipal de Anápolis já deu provas no passado, que muita coisa se consegue assumindo responsabilidade que pertence ao governo federal.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Antiga estação pode acabar com integração

Publicado na edição de 26/08/2010 do jornal Diário da Manhã

Nas cidades brasileiras de portes médio e grande, o maior desafio enfrentado pelos prefeitos municipais, tem sido o transporte coletivo urbano. Por mais que os governantes se esforcem, o transporte de massa, principalmente o rodoviário, sempre está faltando alguma coisa. Em Anápolis, mesmo com o excelente serviço prestado pelo Transporte Coletivo de Anápolis-TCA, do grupo Odilon Santos, frequentemente renovando sua frota, veículos passando por vistorias de manutenção diárias, motoristas e cobradores submetidos a constantes cursos de relacionamento humano, ainda assim há reclamações. Poucas ! Mas há.

Em 1986, quando assumi a prefeitura municipal, depois de 12 anos de prefeitos nomeados, a população reclamava do preço da passagem e falta de local onde pudesse fazer o embarque e desembarque com segurança e um mínimo de conforto. Todos os ônibus que serviam a população operavam numa das laterais da Praça Americano do Brasil. Sem cobertura para agasalhar o usuário da chuva ou sol. Não havia um só banco para o descanso de idosos, gestantes ou pessoas doentes e com necessidades especiais. Bares e lanchonetes funcionavam num complexo de alvenaria – o minhocão – construído pela prefeitura, no meio da Rua Tonico de Pina, em frente ao estacionamento dos ônibus.

Cidade crescendo territorial e demograficamente. O povo clamando por novas linhas e mais ônibus. Decidimos construir no antigo parque de manobras da estação ferroviária, ao lado da Praça Americano do Brasil, um terminal de passageiros. Em outubro de 1986 foi inaugurado. Além de dar segurança e conforto ao usuário, criamos o sistema total de integração das linhas existentes e das que viessem a ser implantadas. Assim o passageiro já não teria que pagar duas passagens quando, por exemplo, saia da Vila Jaiara para trabalhar nas empresas do Daia ou no Friboi, da Vila Fabril. De um ponto a outro da cidade com uma única passagem. O terminal funciona como o centro de uma roda de bicicleta. Os raios, são as linhas convergindo todas para o centro. A conquista do anapolino foi dupla: local confortável e seguro para embarque e desembarque e aproximadamente 30 mil usuários com redução imediata de 50% nas despesas com transporte, com a integração.

Como o crescimento populacional de Anápolis tem sido maior que o da média nacional, quando retornamos à prefeitura em 1997, onze anos após à construção do terminal urbano, realizamos sua ampliação. Utilizamos a parte da frente da antiga estação. Os ônibus que servem as linhas mais recentes, atendendo bairros novos, mas densamente habitados, foram instalados na área ampliada. O atendimento ao usuário se aproximou da perfeição. Não se tem notícia de nenhuma outra cidade brasileira que possua sistema tão perfeito. Os ônibus chegam e saem do terminal no horário pré-determinado. São poucas as estações rodoviárias interestaduais que oferecem serviço, limpeza e estrutura do terminal urbano de Anápolis.

Toda conquista social, segurança e conforto obtidos pelo usuário do transporte rodoviário urbano da cidade, podem desaparecer, caso prevaleça proposta do Ministério Público determinando a destruição da ampliação do terminal, feita há 12 anos. A alegação para a derrubada dos melhoramentos é a de que a antiga estação ferroviária, construída em 1935, ficou encravada e com pouca visibilidade externa, na parte ampliada. Alegam que embora totalmente preservada a estação não está totalmente à vista dos que frequentam ou passem pela Praça Americano do Brasil. Só a destruição do terminal daria a visibilidade ao prédio, tombado pelo patrimônio histórico municipal.

Destruir parte ampliada, significa destruir o terminal inteiro. Sem a parte ampliada e condenada à destruição, o terminal não suporta mais que 60% dos ônibus. O prejuízo será total para o usuário que ficará sem o benefício da integração. Voltará ao estágio humilhante de 24 anos atrás quando era atendido na rua, tomando chuva, enfrentando sol e correndo risco de ser atropelado. Há forma mais inteligente e eficaz de preservar o patrimônio histórico. A substituição do alambrado metálico que separa o público externo da parte interna, por vidros transparentes e resistentes seria saída mais lógica. Aliás, a estação só está intacta e preservada por estar dentro do terminal urbano. Sendo isolada como querem, em pouco tempo poderá ser abrigo de marginais, pichada e destruída por vândalos.

Para a empresa que explora o serviço, acabar com o terminal não haverá prejuízo, porque implantará a bilhetagem eletrônica. Porém, os usuários perderão o mais perfeito sistema de integração existente no Brasil. Cobradores da empresa serão desempregados. O prejuízo para o intenso comercio da redondeza será incalculável.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Credibilidade conquistada no dia a dia

Publicado na edição de 29/07/2010 do jornal Diário da Manhã

Em 1986, nos meus primeiros dias como prefeito, decidi construir um novo presídio em Anápolis. A cadeia pública não atendia as necessidades do município. Foram expedidas cartas convite a cinco empresas que prestavam serviço ao governo estadual. Fiquei surpreso quando foram abertas as propostas. A ganhadora dentre as cinco correntes, propunha realizá-la por quase três vezes mais que o seu verdadeiro custo e recursos disponíveis pela prefeitura. O Ministério da Justiça já construíra em outros estados, edificação idêntica à de Anápolis, por dois milhões e quinhentos mil cruzeiros. A firma que vencedora a orçou em seis milhões de cruzeiros.

Não a homologuei, determinando outra licitação. Convidei empresas de Anápolis. O secretário do Planejamento da prefeitura, engenheiro Jader Barbosa, estabeleceu preço máximo e mínimo para a sua execução. A empresa vencedora foi a Emisa, dos jovens engenheiros João Batista Emidio e Amador. Executaram o projeto com acréscimo de itens importantes, como cabines para sentinelas, dentro do orçamento e recursos que dispúnhamos.

Adotando a técnica de preços máximo e mínimo fixados pela secretaria municipal do Planejamento, a Emisa construiu o Mercado do Produtor, feirões cobertos, kartódromo, biblioteca pública, terminal rodoviário urbano, recuperação do asfalto urbano cortado pela implantação da rede de esgoto e uma série de empreendimentos nos setores da saúde e educação realizados pela prefeitura. Aprendi bem cedo que a licitação, por carta convite ou qualquer outra modalidade, não impede que empresários se reúnam, fazendo conchavos que invariavelmente dobram ou até triplicam o valor obra.O recurso é estabelecer valor máximo e mínimo para execução do serviço. Podem fazer o conluio que quiserem que o valor justo será preservado.

Hoje a Emisa que executou serviços para a prefeitura, dentro de excelente padrão de qualidade, competência e honestidade, se consolidou como incorporadora e maior construtora de edifícios verticalizados em Anápolis. Com mais de 400 profissionais e trabalhadores na área da construção civil, só executa empreendimentos particulares. Não tem participado das licitações para obras públicas.

Em seus 33 anos de existência, granjeando a confiança dos anapolinos, a Emisa construiu dezenas de edifícios verticais, quase todos de 20 andares, por todas as regiões da cidade. Tem na Caixa Econômica Federal, forte parceira. A Facilidade encontrada pela população na obtenção de crédito para o setor imobiliário tem sido o motor que a impulsiona.

Depois construir vários edifícios no Jundiaí e Setor JK, a Emisa anuncia para o início de agosto próximo, a realização de ambicioso plano. Vai edificar cinco prédios verticais, todos dentro de uma mesma área de terra, com vinte andares cada um, na Vila Jaiára. O terreno fica na parte mais alta da cidade, que pertencia à empresa Vicunha. Serão cinco torres com 300 apartamentos, na vista mais privilegiada de Anápolis. Melhor, são apartamentos populares, para o povão.

A Vila Jaiara é o principal bairro do município. Maior que mais de 200 municípios goianos. A Emisa provou que vale a pena trabalhar com honestidade. Cresce com segurança e respeito. Nestes 33 anos de existência, faz parte da Anápolis que tem dado certo!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Fazer bem-feito é o caminho

Publicado na edição de 17/06/2010 do jornal Diário da Manhã

Cora Coralina, em seu livro Vintém de Cobre – meias confissões de Aninha, relata que “a vida é boa. Saber viver é a grande sabedoria. Saber viver é dar maior dignidade ao trabalho. Fazer bem-feito tudo que houver de ser feito. Seja bordar um painel em fios de seda ou lavar uma panela coscorenta. Todo trabalho é digno de ser bem-feito”.

Para que seja bem-feito aquilo a que nos propomos realizar, temos que conhecer em detalhes o trabalho que vamos executar. Além de conhecê-lo, temos que trabalhar com dedicação e zelo. Precisamos acreditar e ter amor na missão que estamos cumprindo.

Quem se propõe a exercitar atividade política no Brasil tem enfrentado constrangimentos, censuras e incompreensões. Pelo desacerto de alguns, mesmo os mais dedicados, têm sido nivelados por baixo. Todos são tidos como desonestos. Atividade política é um trabalho. Trabalho sério. Há os que a realiza bem. Não podem ser comparados aos desonestos, que fazem da atividade um balcão de negócios e instrumento de enriquecimento ilícito.

Por mais de 40 anos participamos da atividade política. Exercemos vários mandatos eletivos. Quase todos conquistamos na oposição. Como deputado estadual e três vezes deputado federal assumimos o compromisso de enfrentar a ditadura, lutando pelas liberdades democráticas. Combatendo o bom combate, nos orgulhamos de ter colaborado, nas pregações em praça pública, tribuna do Congresso Nacional e contatos permanentes com o povo, pelo retorno do País à democracia.

Como secretário da Educação, no governo de Iris Rezende Machado, realizamos concurso público para admissão de professores, em um instante no qual as leis permitiam a escolha dos educadores por indicação política. Vencemos a resistência de companheiros que não concordavam com o concurso. Implantamos o Estatuto do Magistério, elaborado em parceria com o Centro dos Professores Goianos (CPG). Tivemos o apoio do governador Iris Rezende para excluir dos efeitos do decretão de março de 1983 todos os professores que foram atingidos por ele, mas que já trabalhavam nas escolas, estaduais, “segurando vagas”, antes do dia 3 de abril de 1982. Só não foram reintegrados aqueles docentes que não quiseram retornar à rede estadual. Dos 12 mil inicialmente atingidos, apenas algumas dezenas não se reintegraram. Construímos e reformamos escolas por todo o Estado. Criamos seis cursos universitários novos em Anápolis, sendo o embrião para que Henrique Santillo instalasse a Uniana (Universidade Estadual de Anápolis), transformada em UEG (Universidade Estadual de Goiás) por Marconi Perillo. Levamos faculdades de Educação para o Norte do Estado, hoje Tocantins. Construímos e reformamos prédios escolares por Goiás inteiro. Acabamos com os Centros Cívicos, criados no período ditatorial, retornando com os grêmios estudantis livres. Investimos na capacitação dos professores...

Como prefeito municipal realizamos dinâmica administração elogiada até pelos mais ferrenhos adversários. Envolvemos o município no encaminhamento de atividades que beneficiaram a iniciativa privada, como vinda da Hering para Anápolis e instalação do Porto Seco. Além do enorme esforço que fizemos para garantir o Porto Seco, conseguimos junto ao Ministério dos Transportes o aluguel de imóvel pertencente à Rede Ferroviária Federal, no Daia, que estava desativado e iria a leilão. Por ser contrato de órgão público para órgão público o aluguel foi possível. A diretoria do Porto Seco, por instrumento legal, repassava mensalmente à prefeitura as despesas do aluguel. Conseguimos que em um encontro de contas, o governo do Estado ficasse com o imóvel como recebimento de parte do ICMS, devido pela Rede Ferroviária ao governo estadual, consolidando seu funcionamento em Anápolis.

Graças ao Porto Seco, à exceção de Brasília, Anápolis é a cidade do Centro-Oeste e Tocantins com a maior arrecadação de impostos federais. Foram arrecadados em maio 318 milhões e 700 mil reais, via Porto Seco. Passaram por ele 9 mil e 600 veículos importados, no mês passado. O dobro de maio de 2009. Valeu a pena o esforço e sacrifício que fizemos em favor da sua concretização.Com o Porto Seco plantamos o futuro da economia anapolina.

Em política, sendo ela feita com seriedade, os bons frutos podem demorar, mas com certeza chegarão. O importante é fazermos bem a missão que nos cabe.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Respeito ao povo e ao dinheiro público

Publicado na edição de 10/06/2010 do jornal Diário da Manhã

O voto do eleitor brasileiro tem sido muito mais pelo emocional que pela razão. Isso porque ninguém acredita em “proposta” de candidato. Só vamos alterar essa cultura, quando eleitor, além de votar, exigir do eleito que cumpra a palavra empenhada na campanha eleitoral.

Os japoneses estão nos dando, mais uma vez, lição de democracia e cidadania. O primeiro-ministro Yukio Hatoyama , antes de completar nove meses no cargo, foi obrigado a renunciar sob pressão popular. Hatoyama assumiu compromisso de, sendo eleito, retirar a base militar do exército americano em Okinawa, ilha no sul do Japão. No cargo, desistiu da ideia, passando a defender a presença da base em solo japonês por questão de segurança nacional. Sua mudança de comportamento revoltou a população, obrigando-o a renunciar o cargo.

Para substitui-lo, foi designado Naoto Kan, que ao contrário de Hatoyama defendeu publicamente a permanência da base militar de Okinawa. O povo aceitou sua proposta. A revolta popular não se deu pela manutenção ou retirada da base militar americana, mas sim por promessa enganosa. O japonês não aceitou ter sido enganado, exigindo sua renúncia sob pena de impingir-lhe fragorosa derrota na próxima eleição parlamentar. Seu substituto defendeu a presença da base militar americana e foi aceito pela maioria, sem nenhuma contestação. Governante tem que ter segurança nas suas propostas. Perdendo a confiança da população não merece permanecer no cargo.

Infelizmente, aqui entre nós, a maioria diz que “conversa de político e risco na água têm o mesmo valor”. Por isso que os debates políticos se aproximam cada vez mais de programas policiais, em que o denuncismo prevalece. Vence quem melhor denuncia, mais ataca e usa de expedientes ilícitos. Vence quem melhor mexe com o emocional do eleitor. Além de nada proporem, muitos, ao assumirem o cargo, destroem ou não dão manutenção às obras que seus antecessores realizaram.

O Projeto Dom Bosco, criado em Anápolis desde 1986, é ótimo exemplo dessa irresponsabilidade. Durante seu funcionamento, instruiu e encaminhou milhares de crianças e jovens à aprendizagem profissional e ao primeiro emprego. Foi fechado por Ernane de Paula e nunca mais voltou a funcionar pelas administrações que o sucederam. Para Ernane José de Paula, o programa fazia lembrar Adhemar e Onaide Santillo. Por isso teria que ser destruído. Não deixou nem um vestígio da sua existência de tantas conquistas e glórias. Todos equipamentos, máquinas e materiais que lhe pertenciam sumiram. Até a sede principal do Projeto Dom Bosco, que adquirimos da Aeronáutica, na Vila Jaiára, foi repassada à Polícia Militar para instalação de uma unidade da PM. Enquanto isso, os jovens foram jogados à rua. Hoje centenas de garotos, que poderiam estar frequentando o Projeto Dom Bosco, fazem das ruas sua moradia e das drogas e flanelinhas sua aprendizagem.

O Centro Integrado da Mulher (CIM), dirigido pelo médico Maurício Machado, dentro de uma concepção moderna e avançada, desenvolvida pela Universidade de Campinas (Unicamp), em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS), foi por nós implantado em Anápolis. Referência no atendimento à saúde da mulher, dentro e fora de Goiás. Pioneiro no serviço público goiano em prevenção de câncer de mama e colo de útero, evitou que milhares de mulheres contraíssem câncer. Apontado por médicos e entidades que militam na área como o mais importante programa de saúde da mulher em Goiás, foi reduzido a um posto de saúde por Ernane José de Paula, por ter a “cara de Adhemar e Onaide Santillo”. Inaugurado com a presença de José Aristodemos Pinotti, uma das maiores autoridades mundiais em programas de saúde da mulher, que só veio a Anápolis pelo valor do programa e seu pioneirismo em Goiás, o Centro Integrado da Mulher é apenas saudade.

Com a direção do médico Geová Leite Guedes, instalamos na Vila Jaiára o Hospital de Medicina Natural. Da mesma forma que o Projeto Dom Bosco e o CIM, foi extinto sem deixar vestígio.

Infelizmente, ainda não temos a mesma cultura política japonesa.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Municipalização já, para o bem das crianças

Publicado na edição de 13/05/2010 do jornal Diário da Manhã

Quando em 1985 Anápolis readquiriu sua autonomia política, depois de 12 anos de prefeitos nomeados, como candidato do PMDB à prefeitura, fui com Henrique Santillo ao Bairro Jundiaí, visitar a região. Ouvimos as reclamações dos moradores pela falta do esgoto sanitário. Do Colégio São Francisco à Vila Santa Maria de Nazareth era uma região de relevo úmido, em grande parte pantanoso mesmo. Cisterna não precisava mais que um metro para brotar água. Fossa num lugar de tanta água em poucos dias precisava de esgotamento ou construção de uma nova. O mais dramático presenciamos na Rua Visconde de Taunay, numa residência em frente ao feirão, um enorme buraco, denunciando explosão de uma fossa, em que o proprietário havia colocado carbureto para sua limpeza, como habitualmente fazia. Uma pessoa morreu e outra ficou gravemente ferida.

Tendo vencido o pleito e Henrique eleito governador em 86, elegemos para Anápolis, a construção da rede de esgoto como sua a maior prioridade. Elaborado o projeto, atendendo mais de 90% da área urbana, a obra foi realizada. Até mesmo a pequena rede já existente, cobrindo o setor central, cujo esgoto era despejado sem qualquer tratamento no Córrego das Antas, foi reconstruída. Foram milhares de quilômetros de rede. Uma moderna estação de tratamento do esgoto coletado em toda cidade foi construída às margens do Antas, próxima ao Bairro Residencial das Flores. Esgoto tratado e devolvido ao córrego. Médicos pediatras e cartórios de registro civil podem atestar que após aquelas obras caiu verticalmente a taxa de mortalidade infantil em Anápolis.

Depois desse serviço realizado em 1987, há exatamente 23 anos, nada mais foi feito. A única extensão feita de lá até aqui, foi para coletar o esgoto do Condomínio Porto Rico, no Bairro São Joaquim, que com seus mais de 600 apartamentos, todos ocupados, usava o sistema de fossa gigante, que enchia e vazava até três vezes por semana. A prefeitura arcou com a despesa da execução da obra.

Até o momento, a expansão do atendimento ao usuário tem sido apenas com ligações domiciliares. Residências construídas em lotes antes baldios, em setores servidos pelas redes principais, recebem o ramal domiciliar e são apresentadas na estatística da Saneago. A rede e os emissários utilizados são os construídos em 1987.

Impedida de utilizar dinheiro do FGTS, a maior fonte de recurso disponível para saneamento na Caixa Econômica Federal, a Saneago com sua capacidade de endividamento esgotada, se transformou, ao lado do modestíssimo Amapá, nos dois Estados que menos reduziram a quantidade de habitantes sem a coleta de esgoto, nos últimos 16 anos. Amapá reduziu em 2% e Goiás 4%. No mesmo período, a média da redução nacional nesse setor foi de 40%, segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, do Ministério do Planejamento.

A principal vítima desse descaso administrativo é a criança, com o aumento cada vez maior da mortalidade infantil. Com 17,4 crianças mortas no primeiro ano, de cada mil nascidas vivas. Goiás só não tem a maior taxa de mortalidade infantil que as regiões Norte e Nordeste. No Centro-Oeste – Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, na Região Sul; São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo – Região Sudeste, as mortes de crianças com menos de um ano de vida são em menor número que as ocorridas em Goiás.

Para que não ficasse apenas no papel o projeto federal de construção de casas Minha Casa, Minha Vida, a prefeitura de Anápolis, se endividou em mais de 56 milhões de reais, junto à Caixa Econômica Federal, repassando os recursos à Saneago. Fato semelhante aconteceu com Aparecida de Goiânia e outras cidades interioranas.

Enquanto isso a população dos bairros periféricos de Anápolis e das cidades de médio e grande portes do Estado continua bebendo água contaminada das cisternas, assistindo ao crescimento da mortalidade infantil.

Só há uma solução para evitar o colapso total: municipalização, já !