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terça-feira, 6 de março de 2012

Campanha emocionante em 1972

Em abril de 1972 foi inaugurada a Base Aérea dos Mirage em Anápolis. Falava-se na transformação do Município em Área de Segurança Nacional. Acreditando numa vitória arenista a ideia foi adiada.

Para a eleição daquele ano, o MDB indicou como candidato a prefeito, o professor José Batista Júnior. Querido e respeitado pela população e pelos companheiros de partido. Havia comandado a educação e a cultura do Município. José Batista seria protagonista de uma das mais emocionantes disputas pela prefeitura de Anápolis.

Seu adversário, professor Eurípedes Barsanulfo Junqueira, era tido como funcionário público municipal exemplar. Começou como contínuo, chegando à chefia de gabinete do prefeito nas administrações de Hely Alves Ferreira e Jonas Duarte. Havia passado pela direção do Colégio Estadual “José Ludovico de Almeida”, principal colégio da cidade. Em 1965, cogitado para ser candidato em substituição ao prefeito Jonas Duarte, abriu mão para Raul Balduíno. Era, sem dúvida, a pessoa mais forte que a Arena poderia lançar.

José Batista, também, um político coerente e tradicional, se apresentava como o candidato da luta pela redemocratização do País e único capaz de dar continuidade ao trabalho realizado pelo grupo santilista.

A tese defendida por Eurípedes foi a de que Anápolis ganharia com a sua eleição por que ele teria a mão esquerda estendida ao Governo Estadual e, a direita, ao Governo Federal. Fez, pessoalmente, a campanha paz e amor. Sem o ódio e radicalismo, como a maioria dos que o apoiavam. Sua mensagem era, especialmente, levada às mães. Era tido pelos analistas políticos como imbatível.

Não havendo eleição para prefeito em Goiânia, a estrutura do Governo Estadual, para ganhar a eleição, foi transferida para Anápolis. Lei eleitoral falha, justiça desaparelhada, sem termos a quem recorrer, incentivávamos o eleitor a receber as benesses oferecidas pelo Governo, mas que votasse em José Batista Júnior:

- “Peguem o dinheiro, carteira de motorista, material de construção que estão lhe oferecendo, mas votem contra quem está tentando comprar seu voto. Diga não à corrupção e à escravidão. Vote pela liberdade. Vote José Batista Júnior.”

A Rádio Imprensa, pertencente ao médico Henrique Fanstone, presidente municipal da Arena, fazia a campanha arenista. Transmitia, todas as noites, os comícios de Junqueira. A Rádio Carajá comandada pelo MDB autêntico, defendia a administração Henrique Santillo, a candidatura de José Batista Júnior e transmitia, diariamente, os seus comícios.

Os emedebistas que romperam com o prefeito Henrique Santillo, criaram um grupo que se auto-intitulou “MDB Positivo” em apoio a Eurípedes Junqueira. Fernando Cunha Júnior e Ronaldo Jayme, por serem detentores de mandatos, não subiram ao palanque de Eurípedes Junqueira. Os demais emedebistas, adesistas, fizeram parte do palanque arenista. No palanque de José Batista Júnior, Henrique Santillo, Anapolino de Faria, os sete vereadores que apoiavam o prefeito, dentre eles o candidato a vice Milton Alves Ferreira; João Abrão, Presidente do MDB, Romualdo Santillo, eu e lideres populares.

Certos que num debate pela televisão Eurípedes Junqueira venceria José Batista, a Arena comprou o horário mais importante da TV Anhanguera, o único canal de televisão, até então, existente em Goiás, para o confronto, marcado para as 19 horas de um domingo... (continua)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Candidatura de Henrique Santillo à prefeitura

Com a vitória esmagadora, surpreendente, de Henrique Santillo para a Câmara Municipal nas eleições de 1966, a celeuma que se criou em torno da sua diplomação pela justiça eleitoral, seu nome emergiu de maneira espontânea como a grande liderança política de Anápolis para substituir Raul Balduino, nas eleições de 1969.

Antes de 1966, nós os santillistas, embora tivéssemos nossas convicções políticas e ideológicas, não havíamos sido filiados a nenhum partido político. Passamos a militar em partido só a partir de 1966, quando nos filiamos ao MDB. A vitória de Henrique Santillo para a Câmara Municipal dava inicio a um novo rumo para o partido em Anápolis.

O Movimento Democrático Brasileiro no município foi organizado, muito mais em cima de divergências políticas locais, que compromisso de combate a ditadura, que era o seu compromisso nacional.

Henrique Fanstone que fora derrotado por Raul Balduíno, nas eleições de 1965, para a prefeitura de Anápolis, filiou-se a Arena. Os liderados por Achiles de Pina, Jonas Duarte e Raul Balduíno, até por falta de outra opção, pois haviam só Arena e MDB, filiaram-se ao MDB. O deputado federal Haroldo Duarte convicto e ferrenho combatente à ditadura de 1964 era exceção dentro grupo. O surgimento de Santillo foi o grande acontecimento da política Anapolina. Viria transformá-la completamente.

Como vereador deu sustentação ao prefeito Raul Balduino, ao mesmo tempo que organizou o MDB para sua missão histórica de combate ao autoritarismo.O movimento popular, movimento das massas de baixo para cima, cresceu tanto que fugiu do controle dos “cardeais” do partido. O povo exigia a candidatura de Henrique Santillo. Mesmo com o vasto apoio popular, a cúpula municipal não acostumada a pressão, queria Thales Reis, como candidato. Thales era ex-delegado de polícia e genro de Achiles de Pina.

Até aquele momento da história política Anapolina, Achiles de Pina era a grande referência, o grande eleitor. Sua força política era antiga. Desde a época em que a maioria do eleitorado de Anápolis era rural. Como maior cerealista do município, mantinha um relacionamento comercial e de amizade com os fazendeiros de Nerópolis, Brasabrantes, Nova Veneza, Damolândia, Ouro Verde, Goianápolis, Campo Limpo, Souzânia e Interlândia, todos distritos de Anápolis. Seu pedido de apoio e voto para essas lideranças rurais era órdem a ser cumprida.

Embora sem apoio popular, a candidatura de Thales, foi se consolidando dentro do MDB, pela indefinição de Henrique Santillo que relutava em aceitar sua candidatura. Moacyr Junqueira, editor chefe do jornal O Anápolis, diário pertencente ao deputado federal Anapolino de Faria, numa das suas edições, estampou em manchete “ Adhemar Santillo será o candidato do MDB”
Diante desse fato novo, Henrique anunciou sua disposição de disputar a prefeitura.

Ainda assim a cúpula emedebistas insistia com a candidatura de Thales Reis. Passadas algumas semanas, Henrique Santillo foi convidado para reunião com o prefeito Raul Balduíno e seus apoiadores. Foi selada a unidade emedebista, com Santillo para prefeitura, Thales para a vice.

O apoio do deputado federal Anapolino de Faria, desde o primeiro instante, a Henrique Santillo, foi decisivo para a sua escolha como candidato do MDB. Se não contasse com esse apoio de Anapolino, mesmo com toda manifestação popular ao seu lado, o resultado da convenção poderia ter sido outro.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Raul Balduíno e o MDB (Final)

Vencida a eleição de 1965, Raul Balduíno deu início à sua administração. Combatido tenazmente pelos adversários, o prefeito não se deixou abater. Contando com significativa maioria na Câmara Municipal, quando o MDB elegeu dez dos quinze vereadores em 1966, teve tranquilidade para administrar. Henrique Santillo ao lado de Laudo Puglisi, João Furtado de Mendonça, João Luiz de Oliveira, Adão Mendes Ribeiro, Amador Abdalla, Raimundo de Oliveira Lima, Homero Batista, Oscar Miotto e Walmir Bastos transformaram o clima no Legislativo no mais favorável possível ao prefeito.

Durante quase todos os quatro anos de mandato os vereadores trabalharam sem remuneração. Quando os antigos partidos foram extintos, dando lugar a Arena e MDB, a legislação eleitoral foi alterada, só permitindo remuneração para os vereadores em cujos municípios houvessem no mínimo 100 mil habitantes. A população anapolina, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, não havia chegado aos 100 mil. Mesmo assim, foi a mais produtiva de todas as legislaturas na avaliação de jornalistas e analistas políticos.

Com pequenos recursos e inúmeros problemas a resolver, Raul deu grande impulso ao desenvolvimento municipal. Foi na sua administração que se realizou a primeira Feira da Amostra da Indústria Anapolina – Faiana. O evento aconteceu no parque de exposição agropecuária. A indústria em Anápolis era pequena, se concentrando mais nas máquinas de beneficiar arroz e cerâmicas. Fora disso, algumas outras de pequena dimensão. Com a Faiana, a economia municipal se despertou para a excelente posição geográfica da cidade, própria mesmo para se transformar em grande pólo industrial. Coração do Brasil, entroncamento das regiões Sul e Norte.

Ao suceder Raul Balduíno, o prefeito Henrique Santillo não só deu continuidade às feiras industriais, como considerou de utilidade pública, para efeito de desapropriação, a área de terra onde hoje se encontra instalado o Daia. Leonino Caiado, governador do Estado, desapropriou a área e instalou a primeira industria no local, pela Lei de incentivos fiscais nº 7.700: a fábrica de azulejos Cecrisa, atual Cemina. No governo Irapuan Costa Júnior foi edificado o Daia, o mais completo Distrito Industrial do Estado. O distrito industrial se consolidou com a Lei Fomentar, na administração Iris Rezende e Produzir, no governo Marconi Perillo.

Raul Balduíno construiu os primeiros conjuntos habitacionais de Anápolis, com financiamento do Banco Nacional de Habitação – BNH. O Conjunto Raul Balduíno, ao lado do Estádio Jonas Duarte e Vila Formosa. Na sua administração o Estádio dos Amadores, o Zéca Puglisi, foi construído. Vereador Laudo Puglisi (MDB), autor da lei propondo sua construção. A meu pedido, à época presidente da Liga Anapolina de Desportos, construída a sede própria da LAD, nas dependências do novo estádio. O primeiro Pronto Socorro da cidade, obra de Raul Balduíno, transformado mais tarde por Jamel Cecílio, em Hospital Municipal. Dotou zona rural municipal de infraestrutura, com abertura e conservação de estradas, construção de pontes e mata-burros. Auxiliou os pequenos proprietários rurais com açudes, cascalhamento de currais e estradas vicinais. Além da escola Elzira Balduíno, no Bairro Maracanã, fortaleceu com mais escolas os bairros e zona rural. Fez administração admirável e de grande alcance social.

Ao final da sua administração, tinha preferência pela candidatura do delegado de polícia Thales Reis à prefeitura. Thales, genro do coronel Achiles de Pina, grande líder da política municipal. Raul se dobrou à vontade da maioria da população que queria Henrique Santillo. Apoiou Santillo, tendo Thales Reis como seu vice-prefeito. Poderia ter ingressado na Arena, como normalmente faziam os políticos, principalmente ocupantes de cargo Executivo. Preferiu filiar-se ao MDB, mesmo depois da cassação de Iris Rezende Machado, prefeito de Goiânia, em 1969. Era o mais cotado para ser o vice de Iris Rezende Machado ao governo de Goiás nas eleições de 1970. Com a cassação de Iris e a eleição para o governo, transformada em eleição indireta pela Assembleia Legislativa, foi candidato ao Senado, ao lado de Gerson de Castro Costa e Pedro Ludovico Júnior. A Arena elegeu os três senadores, Osires Teixeira, Benedito Ferreira e Emival Caiado. Nas vagas deixadas por Juscelino Kubitschek, Pedro Ludovico e José Feliciano Ferreira. Três vagas porque Ludovico e Juscelino haviam sido cassados enquanto José Feliciano terminava seu mandato. Raul Balduino de Souza foi muito importante na luta dos brasileiros pela queda da ditadura.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Raul Balduíno e o MDB ( I )

Raul Balduíno de Souza, médico, natural de Posse-Go, foi importantíssimo para que o Movimento Democrático Brasileiro de Anápolis se constituísse no expoente máximo da resistência democrática em Goiás. Embora tenha militado politicamente em Posse, foi em Anápolis que se destacou, transformando-se numa das mais importantes figuras da resistência democrática do Estado, nos anos 60.

Jonas Ferreira Alves Duarte terminava em 1965 seu mandato como prefeito. Realizou administração progressista. Estruturou a administração municipal. Seu trabalho precisava ter continuidade. Naquele ano seriam realizadas as eleições para prefeitos e governadores em todo Brasil. As eleições legislativas para a Câmara de Vereadores, Assembleia Legislativa, Câmara Federal e Senado seriam no ano seguinte, 1966. Jonas pertencia ao PTB, aliado do PSD na cidade. Não havia o instituto da reeleição. Seu partido não preparara um nome para sucedê-lo. Aliás, valiam mais os acordos de última hora que preparo de nomes. O principal auxiliar do prefeito, Euripedes Barsanulfo Junqueira, braço direito de Jonas Duarte na administração, era cotado. Ninguém conhecia mais das coisas da prefeitura que ele. Preferiu não disputar. Euripedes sabia que para vencer a eleição teria que buscar apoio fora da base de apoio situacionista. Por ser amigo e muito próximo ao prefeito, receava que não conseguisse aglutinar em torno do seu nome, forças políticas contrárias.

O adversário era fortíssimo, Henrique Maurício Fanstone. Se transformara na sensação da política anapolina desde o instante em que venceu Ítalo Naghettíni, genro do cel. Achilles de Pina, na disputa para a vice prefeitura no pleito de 1960. O eleitor tinha o direito de votar em candidato a prefeito, governador e presidente da República de uma legenda e vice de outra legenda. Isso aconteceu a nível nacional em que Jânio Quadros se elegeu presidente da República pela UDN e o vice João Goulart, pertencia à coligação PTB/PSD. Fanstone (UDN) foi eleito vice ao lado de Jonas Duarte(PTB-PSD). Passava, o tempo e o prestígio de Henrique Fanstone crescia cada vez mais.

Sem contar com um nome popular, as lideranças do PTB e PSD partiram a procura de alguém sem militância política no município. Que não fosse político tradicional. Raul Balduino de Souza possuía esse perfil. Médico conceituado, ruralista, ex-presidente do sindicato rural de Anápolis e diplomata por excelência. Preenchia todas as condições para enfrentar o candidato udenista o também médico, Henrique Fanstone. Além disso, Raul era o único que poderia atrair parte importante da UDN municipal. A liderada pelos Caiado. Companheiros de Edenval e Elcival não apoiavam Fanstone. Caiadistas o responsabilizavam pela derrota de Emival Caiado para Otavio Lage de Siqueira, na convenção udenista.

A velha UDN queria Emival. Ele não tinha dúvida que enfrentaria Peixoto da Silveira, candidato do PSD. Perdeu para o engenheiro Otavio Lage, prefeito de Goianésia. O articulador de Otavio na convenção, teria sido Henrique Fanstone. Grande era o ressentimento. Os Caiado não votariam em Fanstone. Da mesma forma não se dispunham a apoiar candidato que fosse militante tradicional do PTB ou PSD. Em Raul Balduino votariam.

Confirmada a candidatura de Raul, os Caiado montaram comitê Otávio Lage-Raul Balduíno, no centro da cidade. João Beze foi o principal comandante do Comitê, conhecido como Comitê do Meio.

Henrique Fanstone arrastava multidões aos seus comícios. O povo ia a pé a todos eles. Seus eleitores deliravam quando atacava os adversários. Esse entusiasmo da massa fanatizada, revigorava cada vez mais suas ironias. Os comícios de Fanstone eram transmitidos ao vivo pela Rádio Imprensa e os de Raul Balduíno pela Rádio Carajá. A forma de expressar de Henrique Fanstone agradava seus eleitores, mas o distanciava do eleitorado mais observador. Aqueles que se definem pelo candidato no curso da campanha. Pela sua forma irônica ao atacar o concorrente, se afastava desse eleitorado.

Raul Balduíno, tranquilo ganhava força a cada instante. Seu valor pessoal, prestígio de Jonas Duarte e aliança com o grupo Caiado: Otávio para o governo e Raul para prefeitura foram fundamentais para seu crescimento eleitoral. Henrique Fanstone e Raul Balduino, embora à época não houvesse pesquisa de intenção de votos, chegaram ao pleito, em igualdade de condições. Apurados os votos na cidade de Anápolis, Henrique Fanstone estava à frente. Abertas as urnas do distrito de Souzânia, Raul tirou a diferença e venceu por 222 votos.

Raul Balduíno foi excelente prefeito. Na formação dos partidos em 1966, ficou com o MDB. Deu credibilidade e sustentação ao partido que estava surgindo. Ao final do mandato em 1969, era apontado como o companheiro ideal para ser vice de Iris Rezende Machado, que estava sendo preparado como candidato do MDB, ao governo de Goiás em 1970.