Num momento como o que estamos passando, é comum pessoas comentarem sobre atrasos no pagamento de salário do pessoal do Estado. Tem sido frequente afirmações como “Henrique Santillo atrasou o pagamento ao funcionalismo público de 4 a 6 meses. Iris Rezende levou um ano para pôr o pagamento em dia, ao substituir Santillo.” Na verdade Henrique Santillo ao deixar o governo no dia 15 de março de 1991, deixou sem ser pagos os salários de janeiro, fevereiro, 15 dias do mês de março e o décimo terceiro salário referente a 1990. Três meses e meio de atraso. Se houve alguns poucos casos com atraso superior, foi por questões burocráticas, insignificantes diante do valor total da folha. Necessário que se diga que o governador e todo seu secretariado também deixaram o governo com seus salários atrasados.
Não quero justificar. Nada justifica deixar quem trabalhou sem receber seus vencimentos. No caso de Henrique Santillo, sua administração efetuou o pagamento de 53 folhas e meia. Sua obrigação legal seria de saldar 52 pagamentos, 48 salários, correspondendo os 4 anos de administração, mais 4 décimos terceiros salário. Que aritmética foi essa de pagar uma folha e meia a mais que o devido e ainda deixar o governo devendo três folhas e meia? Isso ocorreu porque recebeu do seu antecessor, saudoso Onofre Quinan, vice-governador do Estado, substituto de Iris Rezende, licenciado para ocupar o ministério da Agricultura no governo Sarney, com atraso. Quando Santillo assumiu o governo, o funcionalismo estadual estava em greve por atraso de salário.
A administração Henrique Santillo foi a única de toda história administrativa de Goiás que cumpriu a lei do gatilho salarial. Todas as vezes que a inflação chegava a 10% era obrigatório o gatilho para reajustar vencimentos. Vivíamos momento de disparada inflacionária. Estávamos na administração José Sarney, cujo governo não controlou a inflação. Quase todos os meses o servidor estadual tinha reajuste nos seus vencimentos. Na administração Henrique Santillo o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) era depositado normalmente, no momento em que o trabalhador recebia o salário. Henrique Santillo não desviou deliberadamente recursos do Tesouro para pagamento de propaganda oficial da sua administração. Cumpriu rigorosamente a lei estadual que obrigava o governo pagar juro e correção monetária quando havia atraso no pagamento salarial.
O mais violento de todos os percalços enfrentados pelo seu governo, e que culminou atrasando pagamento dos vencimentos aos servidores, foi de responsabilidade do presidente José Sarney. Não cumpriu compromisso acertado com o governador de financiar o Programa de Pavimentação Municipal (PPM). Programa responsável pelo asfaltamento de mais de 10 milhões de metros quadrados de ruas e avenidas nos municípios goianos. O presidente da República havia se comprometido a financiar o programa por intermédio da Caixa Econômica Federal. Como Santillo não se submeteu às suas exigências de apoiar seu candidato à presidência da República, decidiu retaliá-lo. Henrique queria a unidade do PMDB. Se negou a fazer a campanha de Iris Rezende ou qualquer um dos demais pré-candidatos: Ulysses Guimarães, Waldir Pires e Álvaro Dias. Para Henrique Santillo o PMDB só teria chance de vitória se saísse unido em torno de uma candidatura. Dividido, perderia. Pela posição adotada, Sarney o perseguiu. Depois de muito insistir e não lograr êxito em seu pleito de financiamento, Henrique Santillo emitiu Letras do Tesouro Estadual para efetuar pagamento às empresas que realizaram a pavimentação. As letras emitidas pelo governador, legais pela legislação em vigor, seriam resgatadas a longo prazo. Foram avalizadas pelo Banco do Estado de Goiás e colocadas no mercado.
Tão logo Fernando Collor de Melo assumiu a presidência da República, em substituição a Sarney, baixou resolução proibindo Estados e municípios de emitirem letras, ao mesmo tempo que decretava o vencimento e resgate imediato das já emitidas.
Henrique Santillo por não dispor de recursos em caixa e não levar o BEG à falência e seu fechamento extra-judicial, por ser avalista das letras vencidas, foi ao Banco Central acertando com o presidente Ibrahim Eris, o pagamento de todas elas até o final da sua administração. Para tanto, parte do Fundo de Participação do Estado (FPE) foi retida mensalmente pelo BC, para o resgate das letras. Com isso faltou no final da sua administração caixa para investimentos e manutenção do pagamento em dia da folha de pessoal.
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
terça-feira, 23 de novembro de 2010
A Quebra da Unidade Peemedebista em Goiás (Final)
Contando com 40% do diretório nacional do PMDB e percentual teoricamente semelhante junto aos delegados estaduais, José Sarney imaginou que aquele era o momento certo para impor candidato seu à presidência da República, uma vez que os ulyssistas estavam divididos em três pré-candidatos: Valdir Pires, Álvaro Dias e o próprio Ulysses Guimarães. Sarney acreditava que seu indicado ficaria em primeiro lugar.
Foi escolhido Iris Rezende para representar o grupo Sarney e compor o quarteto que disputaria os votos dos convencionais. Ulysses mesmo com sua base de apoio dividida, continuava o preferido dos aliados. Era o grande líder da resistência democrática. Iris Rezende carregava o estigma da fraca administração de José Sarney. Saiu dos quadros da Arena, onde sempre militou, para se transformar em peemedebista, e candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Tancredo Neves. A Constituição Federal, não permitia coligações entre partidos. Os arenistas que haviam formado o PFL e não apoiavam Paulo Maluf, só poderiam participar da chapa de Tancredo, caso o candidato a vice-presidente se filia-se ao PMDB. Assim o udenista bossa nova e empedernido arenista José Sarney se transformou em peemedebista. Ulysses Guimarães, por ser o mais idoso entre todos os candidatos dentro e fora do PMDB, sofria a discriminação do eleitorado, traumatizado com a morte repentina de Tancredo Neves, antes mesmo de tomar posse. A síndrome da velhice o prejudicava.
Realizado o seu lançamento por Brasília, Iris Rezende passou a contatar com as lideranças estaduais do PMDB. O primeiro que visitou foi Henrique Santillo, governador de Goiás. Sonhando com a unidade do PMDB, Santillo lhe disse que não se comprometeria com nenhuma das pré-candidaturas, para ter mais condição de diálogo com todos. Entendia que para o partido ter alguma viabilidade eleitoral naquele pleito teria que marchar unido. Embora se transformando em peemedebista por arranjo, Sarney desgastou tremendamente o partido em todo o Brasil.
Para discutir a pretensão de Iris, várias vezes conversei com Henrique acompanhado de Joaquim Roriz ou sozinho. Em todas as conversas repetia que tudo fez para manter a unidade do PMDB em Goiás e que batalharia pela unidade nacional com força redobrada. Era amigo pessoal de todos os candidatos, mas que nenhum dos postulantes uniria o partido. Defendia a substituição dos quatro postulantes por um único nome que pacificasse e representasse todo o partido. Ulyssista convicto tinha noção que o comandante das Diretas Já, não possuía viabilidade eleitoral. Não queria assistir pacificamente a derrota do PMDB. Para o governador goiano o partido dividido, qualquer que fosse seu candidato sua derrota seria inevitável. Acreditava que naquele momento, o governador de São Paulo, Orestes Quércia, seria o ideal para aglutinar novamente o PMDB, evitando uma derrota para Collor de Melo.
Enquanto isso Iris Rezende viajava pelos Estados em busca de apoio. Todas as vezes que conversei com ele, reclamava da indagação que lhe faziam:
- E o governador do seu Estado, está lhe apoiando?
Respondia que Henrique Santillo estava lutando pela unidade do partido, com o lançamento de uma única candidatura.
O tempo passava e a unidade pregada e trabalhada por Henrique Santillo não se concretizava. A disputa cada vez mais acirrada e radicalizada. Na quinta feira que antecedeu a convenção, Iris Rezende me procurou para que acertasse o apoio do governador à sua candidatura, pois a unidade pregada por ele não aconteceu. As quatro chapas foram registradas. Fui ao Palácio das Esmeraldas falei com Henrique sobre a solicitação. Me autorizou a dizer que seu voto pessoal seria de Iris Rezende. Essa informação lhe dei num encontro em Brasília, com convencionais favoráveis a sua candidatura, em Águas Claras, residência oficial do governador Joaquim Roriz.
Na convenção Henrique e sua esposa Sônia, ambos delegados titulares, não compareceram. Cedaram as vagas a eleitores de Iris. Aos dois primeiros suplentes, deputados Sólon Amaral e Rubens Cosac, que votaram a favor de Iris Rezende. Encerrada a votação Ulysses Guimarães e Valdir Pires foram os dois mais votados e formaram a chapa peemedebista.
Vencido, Iris Rezende ficou magoado. Disseram-lhe que peemedebistas ligados à fundação Pedroso Horta teriam comemorado sua derrota, num hotel em Brasília. Desse espisódio em diante, conhecidos os resultados da Convenção Nacional do PMDB, o presidente José Sarney perseguiu Henrique Santillo, administrativamente. Não honrou compromisso feito com o governador de financiar o asfaltamento nos municípios de Goiás, pelo programa de Pavimentação Municipal. Esse financiamento foi garantido por Sarney a Henrique Santillo antes da Convenção Nacional. Naquela época a convivência entre Henrique e Iris era boa. Essa atitude do governo federal obrigou o governador a saldar os compromissos com as empreiteiras que realizaram o PPM, emitindo Letras do Tesouro Estadual.
Na disputa para a presidência da República, os peemedebistas goianos liderados por Sarney ficaram contra a candidatura de Ulysse Guimarães. O abandonaram. Apoiaram Fernando Collor de Melo.
Assumindo a presidência, Collor por não ter tido apoio de Henrique Santillo, o persiguiram ainda mais. No primeiro turno Henrique ficou com o candidato do PMDB, Ulysses Guimarães. A ala de Sarney a favor de Collor. No segundo turno Henrique Santillo esteve ao lado de Lula, enquanto o PMDB de Sarney continuou em Goiás apoiando Collor. Foi Fernando Collor de Melo quem desferiu o tiro final na administração Santillo, ao exigir o pagamento imediato das letras emitidas pelo governo estadual. O governador teve que comprometer quase todo Fundo de Participação do Estado, no resgate das letras. Para completar a persiguição, por capricho político, Collor fechou a Caixego, extrajudicialmente.
Na campanha para sua sucessão ao governo do Estado em 1990, Henrique liberou seus companheiros, mas não participou da campanha. Terminado o pleito, Iris Rezende eleito, Henrique Santillo deixou o PMDB.
Foi escolhido Iris Rezende para representar o grupo Sarney e compor o quarteto que disputaria os votos dos convencionais. Ulysses mesmo com sua base de apoio dividida, continuava o preferido dos aliados. Era o grande líder da resistência democrática. Iris Rezende carregava o estigma da fraca administração de José Sarney. Saiu dos quadros da Arena, onde sempre militou, para se transformar em peemedebista, e candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Tancredo Neves. A Constituição Federal, não permitia coligações entre partidos. Os arenistas que haviam formado o PFL e não apoiavam Paulo Maluf, só poderiam participar da chapa de Tancredo, caso o candidato a vice-presidente se filia-se ao PMDB. Assim o udenista bossa nova e empedernido arenista José Sarney se transformou em peemedebista. Ulysses Guimarães, por ser o mais idoso entre todos os candidatos dentro e fora do PMDB, sofria a discriminação do eleitorado, traumatizado com a morte repentina de Tancredo Neves, antes mesmo de tomar posse. A síndrome da velhice o prejudicava.
Realizado o seu lançamento por Brasília, Iris Rezende passou a contatar com as lideranças estaduais do PMDB. O primeiro que visitou foi Henrique Santillo, governador de Goiás. Sonhando com a unidade do PMDB, Santillo lhe disse que não se comprometeria com nenhuma das pré-candidaturas, para ter mais condição de diálogo com todos. Entendia que para o partido ter alguma viabilidade eleitoral naquele pleito teria que marchar unido. Embora se transformando em peemedebista por arranjo, Sarney desgastou tremendamente o partido em todo o Brasil.
Para discutir a pretensão de Iris, várias vezes conversei com Henrique acompanhado de Joaquim Roriz ou sozinho. Em todas as conversas repetia que tudo fez para manter a unidade do PMDB em Goiás e que batalharia pela unidade nacional com força redobrada. Era amigo pessoal de todos os candidatos, mas que nenhum dos postulantes uniria o partido. Defendia a substituição dos quatro postulantes por um único nome que pacificasse e representasse todo o partido. Ulyssista convicto tinha noção que o comandante das Diretas Já, não possuía viabilidade eleitoral. Não queria assistir pacificamente a derrota do PMDB. Para o governador goiano o partido dividido, qualquer que fosse seu candidato sua derrota seria inevitável. Acreditava que naquele momento, o governador de São Paulo, Orestes Quércia, seria o ideal para aglutinar novamente o PMDB, evitando uma derrota para Collor de Melo.
Enquanto isso Iris Rezende viajava pelos Estados em busca de apoio. Todas as vezes que conversei com ele, reclamava da indagação que lhe faziam:
- E o governador do seu Estado, está lhe apoiando?
Respondia que Henrique Santillo estava lutando pela unidade do partido, com o lançamento de uma única candidatura.
O tempo passava e a unidade pregada e trabalhada por Henrique Santillo não se concretizava. A disputa cada vez mais acirrada e radicalizada. Na quinta feira que antecedeu a convenção, Iris Rezende me procurou para que acertasse o apoio do governador à sua candidatura, pois a unidade pregada por ele não aconteceu. As quatro chapas foram registradas. Fui ao Palácio das Esmeraldas falei com Henrique sobre a solicitação. Me autorizou a dizer que seu voto pessoal seria de Iris Rezende. Essa informação lhe dei num encontro em Brasília, com convencionais favoráveis a sua candidatura, em Águas Claras, residência oficial do governador Joaquim Roriz.
Na convenção Henrique e sua esposa Sônia, ambos delegados titulares, não compareceram. Cedaram as vagas a eleitores de Iris. Aos dois primeiros suplentes, deputados Sólon Amaral e Rubens Cosac, que votaram a favor de Iris Rezende. Encerrada a votação Ulysses Guimarães e Valdir Pires foram os dois mais votados e formaram a chapa peemedebista.
Vencido, Iris Rezende ficou magoado. Disseram-lhe que peemedebistas ligados à fundação Pedroso Horta teriam comemorado sua derrota, num hotel em Brasília. Desse espisódio em diante, conhecidos os resultados da Convenção Nacional do PMDB, o presidente José Sarney perseguiu Henrique Santillo, administrativamente. Não honrou compromisso feito com o governador de financiar o asfaltamento nos municípios de Goiás, pelo programa de Pavimentação Municipal. Esse financiamento foi garantido por Sarney a Henrique Santillo antes da Convenção Nacional. Naquela época a convivência entre Henrique e Iris era boa. Essa atitude do governo federal obrigou o governador a saldar os compromissos com as empreiteiras que realizaram o PPM, emitindo Letras do Tesouro Estadual.
Na disputa para a presidência da República, os peemedebistas goianos liderados por Sarney ficaram contra a candidatura de Ulysse Guimarães. O abandonaram. Apoiaram Fernando Collor de Melo.
Assumindo a presidência, Collor por não ter tido apoio de Henrique Santillo, o persiguiram ainda mais. No primeiro turno Henrique ficou com o candidato do PMDB, Ulysses Guimarães. A ala de Sarney a favor de Collor. No segundo turno Henrique Santillo esteve ao lado de Lula, enquanto o PMDB de Sarney continuou em Goiás apoiando Collor. Foi Fernando Collor de Melo quem desferiu o tiro final na administração Santillo, ao exigir o pagamento imediato das letras emitidas pelo governo estadual. O governador teve que comprometer quase todo Fundo de Participação do Estado, no resgate das letras. Para completar a persiguição, por capricho político, Collor fechou a Caixego, extrajudicialmente.
Na campanha para sua sucessão ao governo do Estado em 1990, Henrique liberou seus companheiros, mas não participou da campanha. Terminado o pleito, Iris Rezende eleito, Henrique Santillo deixou o PMDB.
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Deixem Henrique Santillo descansar em paz
No momento em que nos aproximamos do 31 de outubro, quando serão realizadas as eleições no seu segundo turno, marqueteiros do PMDB, partido que ajudei a fundar e ao qual pertenço, resolveram agredir a administração Henrique Santillo. Essa é tática velha, desgastada. Ofendem Henrique Santillo com o intuito de atingir Marconi Perillo. Esse diferentemente da maioria dos seres humanos, faz questão de proclamar onde quer que se encontre a gratidão que tem e sempre teve pelo seu grande líder. Atacar uma pessoa que sempre foi correta e ética no exercício dos cargos e funções políticas que desempenhou não é o melhor caminho para pessoas sérias. Agredir um cidadão que deu sua vida pela democracia e que tanto fez por Goiás, é ato mesquinho.
Lembro-me quando Henrique Santillo foi eleito governador substituindo Iris Rezende Machado, que encontrava-se licenciado ocupando o Ministério da Agricultura no governo José Sarney, várias categorias de funcionários públicos estaduais estavam em greve ou anuciando greve. Nunca denunciou a situação caótica que herdou. Mesmo quando os dois se distanciaram politicamente, não fez qualquer acusação nesse sentido ou afastou os iristas que faziam parte da sua administração. Praticamente 12 suplentes foram por ele elevados à condição de titulares da Assembleia Legislativa sem que houvesse qualquer pressão do governo para que não apoiassem Iris. Henrique Santillo era de uma retidão de comportamento exemplar. Estava decidido a se desincompatibilizar no final de governo, para concorrer ao Senado. Desistiu do seu projeto pessoal para não prejudicar o presidente da Assembleia Legislativa, Milton Alves Ferreira, que o sucederia.
Joaquim Domingos Roriz, vice-governador de Goiás, foi escolhido pelo presidente Sarney para governar Brasília. Com um eventual afastamento do governador goiano, ocuparia a governadoria o presidente da Assembleia Legislativa. Nessa mesma ocasião, José Sarney não honrou os compromissos assumidos verbais e pessoais com Henrique Santillo de financiar o Programa de Pavimentação Municipal - PPM, maior programa de asfaltamento municipal feito por um governador em Goiás. Emitiu Letras do Tesouro Estadual para honrar os compromissos assumidos com as empreiteiras. Foram tornadas nulas por Collor de Melo. Sabendo da crise que viria refluiu da idéia de se afastar do governo, para não passar o problema a Milton Alves.

Com a emissão de Letras do Tesouro Estadual, expediente legítimo e legal, usado por governos municipais e estaduais, Henrique Santillo saldou os compromissos com os empresários que executaram o asfaltamento. As letras emitidas pelo governo goiano, por Sarney não honrar os compromissos, como forma de retaliação por Henrique Santillo ter ficado ao lado de Ulysses Guimarães na campanha de 1989 para a presidência da República, venceriam a longo prazo. Com a posse de Fernando Collor à presidência, baixou decreto considerando nulas todas as letras emitidas e negociadas, obrigando o governo de Goiás a resgatá-las imediatamente, sob pena de fechar extra-judicialmente o Banco do Estado de Goiás, seu avalista. Sem reclamar ou denunciar a perseguição ao seu governo e ao Estado, preferiu ficar no governo até seu termino, resgatando as Letras do Tesouro Estadual que emitira, com recursos do Fundo de Participação do Estado. Essa foi a principal razão de Iris Rezende Machado o substituir encontrando as finanças estaduais descontroladas.
Não se tem notícia de uso indevido de Caixego, Beg, Celg, Saneago ou qualquer outro orgão público, por Henrique Santillo, no exercício das funções e cargos públicos que exerceu. Não se tem notícia de ter ele levantado a voz para acusar aos que o perseguiram de forma ostensiva e veladamente por inveja ou capricho político. Por favor respeitem a memória de quem tanto fez por Goiás e para o Brasil. Quem sofreu calado as maiores perseguições e injustiças por retaliações políticas. Inspirem-se na ética e retidão de comportamento que nortearam todas as ações de sua vida. Só assim poderão viver com a consciência tranquila.
Lembro-me quando Henrique Santillo foi eleito governador substituindo Iris Rezende Machado, que encontrava-se licenciado ocupando o Ministério da Agricultura no governo José Sarney, várias categorias de funcionários públicos estaduais estavam em greve ou anuciando greve. Nunca denunciou a situação caótica que herdou. Mesmo quando os dois se distanciaram politicamente, não fez qualquer acusação nesse sentido ou afastou os iristas que faziam parte da sua administração. Praticamente 12 suplentes foram por ele elevados à condição de titulares da Assembleia Legislativa sem que houvesse qualquer pressão do governo para que não apoiassem Iris. Henrique Santillo era de uma retidão de comportamento exemplar. Estava decidido a se desincompatibilizar no final de governo, para concorrer ao Senado. Desistiu do seu projeto pessoal para não prejudicar o presidente da Assembleia Legislativa, Milton Alves Ferreira, que o sucederia.
Joaquim Domingos Roriz, vice-governador de Goiás, foi escolhido pelo presidente Sarney para governar Brasília. Com um eventual afastamento do governador goiano, ocuparia a governadoria o presidente da Assembleia Legislativa. Nessa mesma ocasião, José Sarney não honrou os compromissos assumidos verbais e pessoais com Henrique Santillo de financiar o Programa de Pavimentação Municipal - PPM, maior programa de asfaltamento municipal feito por um governador em Goiás. Emitiu Letras do Tesouro Estadual para honrar os compromissos assumidos com as empreiteiras. Foram tornadas nulas por Collor de Melo. Sabendo da crise que viria refluiu da idéia de se afastar do governo, para não passar o problema a Milton Alves.

Com a emissão de Letras do Tesouro Estadual, expediente legítimo e legal, usado por governos municipais e estaduais, Henrique Santillo saldou os compromissos com os empresários que executaram o asfaltamento. As letras emitidas pelo governo goiano, por Sarney não honrar os compromissos, como forma de retaliação por Henrique Santillo ter ficado ao lado de Ulysses Guimarães na campanha de 1989 para a presidência da República, venceriam a longo prazo. Com a posse de Fernando Collor à presidência, baixou decreto considerando nulas todas as letras emitidas e negociadas, obrigando o governo de Goiás a resgatá-las imediatamente, sob pena de fechar extra-judicialmente o Banco do Estado de Goiás, seu avalista. Sem reclamar ou denunciar a perseguição ao seu governo e ao Estado, preferiu ficar no governo até seu termino, resgatando as Letras do Tesouro Estadual que emitira, com recursos do Fundo de Participação do Estado. Essa foi a principal razão de Iris Rezende Machado o substituir encontrando as finanças estaduais descontroladas.
Não se tem notícia de uso indevido de Caixego, Beg, Celg, Saneago ou qualquer outro orgão público, por Henrique Santillo, no exercício das funções e cargos públicos que exerceu. Não se tem notícia de ter ele levantado a voz para acusar aos que o perseguiram de forma ostensiva e veladamente por inveja ou capricho político. Por favor respeitem a memória de quem tanto fez por Goiás e para o Brasil. Quem sofreu calado as maiores perseguições e injustiças por retaliações políticas. Inspirem-se na ética e retidão de comportamento que nortearam todas as ações de sua vida. Só assim poderão viver com a consciência tranquila.
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Rombo no BEG poderia ter sido maior
Pubicado na edição de 19/08/2010 do jornal Diário da Manhã
Na reportagem concedida a Vandré Abreu, da editoria de Economia do Diário da Manhã, na edição de sábado, dia 14 de agosto de 2010, o ex-presidente do Banco do Estado de Goiás Walmir Martins de Lima apresenta sua defesa frente as acusações que lhe pesam pelo rombo ao BEG, de R$ 1,35 bi. Sob seu comando aquela instituição financeira teria realizado verdadeiro festival de ações irresponsáveis. Uma melhor explicação deve ser prestada pelo ex-presidente.
O primeiro questionamento já foi feito por um dos acusados como responsável pelo rombo, o ex-governador Maguito Vilela: “ por que Walmir Martins só faz a denúncia agora, onze anos após a venda do banco? Qual o interesse do denunciante em botar a boca no trombone, em plena campanha eleitoral?” Não concordando com o uso político criminoso do Banco do Estado de Goiás, por governantes estaduais, enquanto foi diretor comercial da instituição de 1991-1994 e seu presidente de 1995 a janeiro de 1999, por que Walmir não deixou o banco e denunciou os governantes que, segundo afirma, o obrigavam a cometer irregularidades?
Segundo a reportagem, em seu livro Os coveiros do BEG, Walmir Martins de Lima afirma que as empreiteiras que executavam obras no Estado deviam ao banco, em 4 de novembro de 1966, a expressiva quantia de R$ 28.669.642,92, enquanto a dívida do governo às empreiteiras do Dergo, no período de 1991 a 1994, bancadas pelo BEG, correspondia R$ 38.807.965,37. Disso se conclui que a empreiteira executava a obra, mas como o Dergo não pagava, recorria ao BEG e obtinha empréstimos que, em quase sua totalidade, depois de vencidos, não eram pagos, sendo provisionados.
Ainda segundo Walmir Martins, o verdadeiro rombo do BEG chegou a mais de R$ 1,35 bi. Só da dívida mobiliária foram R$ 738 milhões. Mais US$ 180 milhões em dívidas de antecipação de receita orçamentária ao Tesouro estadual, em empréstimos não honrados e adiantamentos a depositantes (pagamentos de cheques sem fundos) a orgãos do Estado, provisionado no período de 1983-1986. Com empreiteiras a dívida em 1999 chegou a R$ 40 milhões...
Fosse lícito proceder como a diretoria do BEG procedeu, de acordo com o narrado no livro do ex-presidente da instituição Walmir Martins, teria havido incompetência da diretoria do banco, no governo Henrique Santillo. Por ser extremamente ético e zeloso, Henrique terminou sua administração amargurado pela crise financeira que abalou a estrutura do Estado. Crise originária na falta de respeito de José Sarney ao governador de Goiás e mesquinharia política de Collor de Melo.
Quando foi lançar o Programa de Pavimentação Municipal – PPM, Henrique Santillo conversou e recebeu sinal verde do presidente Sarney, em financiá-lo pela Caixa Econômica Federal. Passadas as eleições, o presidente da República não honrou a palavra empenhada. Usou mil e uma desculpas para não realizar o empréstimo. As empresas credoras queriam e precisavam receber do Estado. O governador usou do único expediente legal que dispunha: emissão de Letras do Tesouro Estadual. Saldou todos os compromissos do Estado com as empreiteiras, sem comprometer sua estabilidade financeira. O Banco do Estado de Goiás foi o avalista das letras que venceriam a longo prazo.
Fernando Collor ao assumir a presidência proibiu que Estados e municípios emitissem Letras do Tesouro. Tornou nulas as já lançadas ao mercado. Henrique Santillo, para não prejudicar o BEG, avalista das letras que emitira, as resgatou dentro da sua administração. Para isso usou grande parte do Fundo de Participação do Estado – FPE. Enormes parcelas eram retidas pelo Banco Central, mensalmente, dentro do curto espaço de tempo que ainda dispunha como governador. O valor total das letras foi pago pelo governador Henrique Santillo. Ficou sem recursos para bancar as mínimas despesas da máquina administrativa, no dia a dia.
Tivesse Janides Fernandes, presidente do BEG no seu governo, recebido crédito podre das empreiteiras, sem nenhum valor, lhes fazendo vultosos empréstimos desprovidos de garantia, o BEG se endividaria, quebraria mesmo, mas o governador terminaria seu governo sem crise financeira. Como garantia bastaria a promessa dos empresários, “quando o governo pagar, eu pago ao banco.” Isso teria ocorrido na gestão Walmir Martins de Lima, de acordo com seu próprio relato em Os coveiros do BEG. Fizesse como outros fizeram, Santillo não enfrentaria a tormenta que enfrentou. O “mico” seria apenas mais um escândalo a ser contabilizado nos prejuízos do Banco do Estado de Goiás. Seriam alguns milhões de reais à mais no seu rombo bilionário, final. Coisa normal no entendimento dos que não têm compromisso com a seriedade administrativa. O ex-presidente Walmir Martins de Lima disse que o BEG sempre foi usado políticamente pelos governadores. Janides Fernandes não usou indevidamente o BEG como moeda de troca, negociatas ou motivação política. Prova que no governo Henrique Santillo o BEG não se envolveu em negócios nebulosos, escusos e nocivos à sua saúde financeira.
Na reportagem concedida a Vandré Abreu, da editoria de Economia do Diário da Manhã, na edição de sábado, dia 14 de agosto de 2010, o ex-presidente do Banco do Estado de Goiás Walmir Martins de Lima apresenta sua defesa frente as acusações que lhe pesam pelo rombo ao BEG, de R$ 1,35 bi. Sob seu comando aquela instituição financeira teria realizado verdadeiro festival de ações irresponsáveis. Uma melhor explicação deve ser prestada pelo ex-presidente.
O primeiro questionamento já foi feito por um dos acusados como responsável pelo rombo, o ex-governador Maguito Vilela: “ por que Walmir Martins só faz a denúncia agora, onze anos após a venda do banco? Qual o interesse do denunciante em botar a boca no trombone, em plena campanha eleitoral?” Não concordando com o uso político criminoso do Banco do Estado de Goiás, por governantes estaduais, enquanto foi diretor comercial da instituição de 1991-1994 e seu presidente de 1995 a janeiro de 1999, por que Walmir não deixou o banco e denunciou os governantes que, segundo afirma, o obrigavam a cometer irregularidades?
Segundo a reportagem, em seu livro Os coveiros do BEG, Walmir Martins de Lima afirma que as empreiteiras que executavam obras no Estado deviam ao banco, em 4 de novembro de 1966, a expressiva quantia de R$ 28.669.642,92, enquanto a dívida do governo às empreiteiras do Dergo, no período de 1991 a 1994, bancadas pelo BEG, correspondia R$ 38.807.965,37. Disso se conclui que a empreiteira executava a obra, mas como o Dergo não pagava, recorria ao BEG e obtinha empréstimos que, em quase sua totalidade, depois de vencidos, não eram pagos, sendo provisionados.
Ainda segundo Walmir Martins, o verdadeiro rombo do BEG chegou a mais de R$ 1,35 bi. Só da dívida mobiliária foram R$ 738 milhões. Mais US$ 180 milhões em dívidas de antecipação de receita orçamentária ao Tesouro estadual, em empréstimos não honrados e adiantamentos a depositantes (pagamentos de cheques sem fundos) a orgãos do Estado, provisionado no período de 1983-1986. Com empreiteiras a dívida em 1999 chegou a R$ 40 milhões...
Fosse lícito proceder como a diretoria do BEG procedeu, de acordo com o narrado no livro do ex-presidente da instituição Walmir Martins, teria havido incompetência da diretoria do banco, no governo Henrique Santillo. Por ser extremamente ético e zeloso, Henrique terminou sua administração amargurado pela crise financeira que abalou a estrutura do Estado. Crise originária na falta de respeito de José Sarney ao governador de Goiás e mesquinharia política de Collor de Melo.
Quando foi lançar o Programa de Pavimentação Municipal – PPM, Henrique Santillo conversou e recebeu sinal verde do presidente Sarney, em financiá-lo pela Caixa Econômica Federal. Passadas as eleições, o presidente da República não honrou a palavra empenhada. Usou mil e uma desculpas para não realizar o empréstimo. As empresas credoras queriam e precisavam receber do Estado. O governador usou do único expediente legal que dispunha: emissão de Letras do Tesouro Estadual. Saldou todos os compromissos do Estado com as empreiteiras, sem comprometer sua estabilidade financeira. O Banco do Estado de Goiás foi o avalista das letras que venceriam a longo prazo.
Fernando Collor ao assumir a presidência proibiu que Estados e municípios emitissem Letras do Tesouro. Tornou nulas as já lançadas ao mercado. Henrique Santillo, para não prejudicar o BEG, avalista das letras que emitira, as resgatou dentro da sua administração. Para isso usou grande parte do Fundo de Participação do Estado – FPE. Enormes parcelas eram retidas pelo Banco Central, mensalmente, dentro do curto espaço de tempo que ainda dispunha como governador. O valor total das letras foi pago pelo governador Henrique Santillo. Ficou sem recursos para bancar as mínimas despesas da máquina administrativa, no dia a dia.
Tivesse Janides Fernandes, presidente do BEG no seu governo, recebido crédito podre das empreiteiras, sem nenhum valor, lhes fazendo vultosos empréstimos desprovidos de garantia, o BEG se endividaria, quebraria mesmo, mas o governador terminaria seu governo sem crise financeira. Como garantia bastaria a promessa dos empresários, “quando o governo pagar, eu pago ao banco.” Isso teria ocorrido na gestão Walmir Martins de Lima, de acordo com seu próprio relato em Os coveiros do BEG. Fizesse como outros fizeram, Santillo não enfrentaria a tormenta que enfrentou. O “mico” seria apenas mais um escândalo a ser contabilizado nos prejuízos do Banco do Estado de Goiás. Seriam alguns milhões de reais à mais no seu rombo bilionário, final. Coisa normal no entendimento dos que não têm compromisso com a seriedade administrativa. O ex-presidente Walmir Martins de Lima disse que o BEG sempre foi usado políticamente pelos governadores. Janides Fernandes não usou indevidamente o BEG como moeda de troca, negociatas ou motivação política. Prova que no governo Henrique Santillo o BEG não se envolveu em negócios nebulosos, escusos e nocivos à sua saúde financeira.
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quinta-feira, 8 de abril de 2010
Diferença entre Santillo e Alcides
Publicado na edição de 08/04/2010 do jornal Diário da Manhã
Depois de enfrentar e resolver até mesmo o local para o armazenamento do lixo radioativo, do terrível acidente com o césio 137, em setembro de 1987, sem qualquer participação do governo federal, Henrique Santillo ainda sofreu dura retaliação política da dupla José Sarney e Fernando Collor de Melo, no final do seu governo.
Sarney se comprometera a financiar pela Caixa Econômica Federal o programa que o governador realizou asfaltando ruas e avenidas dos municípios goianos. Não honrou o compromisso, obrigando o governador a se utilizar de Letras do Tesouro Estadual para saldar a dívida com as empresas que realizaram a pavimentação. Collor, em seguida, exigiu que as letras emitidas fossem resgatadas pelo governo estadual alguns dias após a emissão, comprometendo grande parte do Fundo de Participação do Estado – FPE. Desequilibrou a finança estadual, inviabilizando o final da administração Henrique Santillo.
Cidadão responsável, o governador abriu mão do seu projeto eleitoral pessoal para 1990, não passando o governo ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Milton Alves. Entendeu que seria deslealdade entregar administração desequilibrada ao companheiro. Ficou no cargo até o último dia do seu mandato, enfrentando o caos financeiro-administrativo, criado por Sarney/Collor.
Na escolha do candidato do PMDB à sua sucessão, Henrique Santillo optou por Antônio Faleiros, secretário da Saúde. Queria homenagear o companheiro que lhe foi solidário no episódio com o césio 137. Incumbiu-me de conversar com Iris Rezende Machado, que ocupava o Ministério da Agricultura, sobre sua decisão. O ministro disse-me que não tinha nenhuma restrição política ou pessoal a Faleiros, mas que na sua avaliação o PMDB goiano possuía outros companheiros que, no seu entendimento, possuíam mais serviços prestados ao partido. Henrique, escolhendo um desses nomes, o apoiaria.
O governador e alguns assessores chegaram à conclusão que Iris Rezende queria ele próprio ser o candidato. Qualquer outro nome que fosse aventado seria pelo ministro descartado. Insistiu com o nome de Faleiros. Convocou as lideranças peemedebistas a Goiânia para ouvi-las. A maioria se mostrou de acordo.
Ao mesmo tempo Iris Rezende Machado em outro ponto de Goiânia se reunia com o mesmo pessoal. Mostrava-se disposto a disputar o governo, desde que todos lhe dessem o apoio integral. Só seria candidato com o partido unido.
Sendo Iris Rezende conhecido de todos e que, com ele, a vitória era certa, as lideranças foram abraçando seu projeto, afastando-se de Faleiros. Eram amigas e respeitavam Henrique Santillo, mas queriam ganhar a eleição. Fui a voz isolada que trabalhou junto ao governador para aceitar a candidatura de Iris ao governo. Os chamados “luas pretas”, dos dois lados, não queriam conciliação. Queriam tirar vantagem pessoal com a divisão.
Sentindo que era impossível enfrentar Iris, que tinha maioria no diretório regional do PMDB, maioria dos delegados municipais e maioria nas bancadas de deputados estaduais e federais que formariam a Convenção do partido, o governador refluiu da ideia de lançar Faleiros.
Henrique Santillo liberou seus companheiros para apoiarem Iris Rezende e continuou administrando a crise que lhe foi montada por Sarney/Collor. Não teve sequer o direito de mostrar aos goianos a violência perpetrada contra seu governo. Por absoluta falta de condição política não participou do horário eleitoral gratuito. Sofreu tudo calado! Só lhe restou deixar o PMDB após as eleições.
Hoje o governador Alcides Rodrigues vive situação semelhante a que viveu Henrique Santillo em 1990. Seus companheiros, esmagadora maioria, preferem Marconi Perillo a Vanderlan Cardoso. Entendem que se há alguém na base governista que possa enfrentar de igual para igual Iris Rezende, este é Marconi Perillo. Além de governar Goiás por oito anos, Marconi participou da eleição municipal ao lado deles. É natural que não se deixem afetar pelos desentendimentos pessoais dos caciques. Desejam governar por mais quatro anos. Sabem ser muito mais fácil conseguir essa proeza com Marconi que com Vanderlan.
Por pertencer a outra legenda, o que interessa a Alcides Rodrigues é mostrar para a população a herança recebida e o que fez como governador. Aproveitará o horário eleitoral gratuito para defender sua administração. Essa a grande diferença entre Henrique Santillo e Alcides Rodrigues: mesmo que por pragmatismo eleitoral perca companheiros, terá horário no rádio e televisão para fazer sua prestação de contas aos goianos!
Depois de enfrentar e resolver até mesmo o local para o armazenamento do lixo radioativo, do terrível acidente com o césio 137, em setembro de 1987, sem qualquer participação do governo federal, Henrique Santillo ainda sofreu dura retaliação política da dupla José Sarney e Fernando Collor de Melo, no final do seu governo.
Sarney se comprometera a financiar pela Caixa Econômica Federal o programa que o governador realizou asfaltando ruas e avenidas dos municípios goianos. Não honrou o compromisso, obrigando o governador a se utilizar de Letras do Tesouro Estadual para saldar a dívida com as empresas que realizaram a pavimentação. Collor, em seguida, exigiu que as letras emitidas fossem resgatadas pelo governo estadual alguns dias após a emissão, comprometendo grande parte do Fundo de Participação do Estado – FPE. Desequilibrou a finança estadual, inviabilizando o final da administração Henrique Santillo.
Cidadão responsável, o governador abriu mão do seu projeto eleitoral pessoal para 1990, não passando o governo ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Milton Alves. Entendeu que seria deslealdade entregar administração desequilibrada ao companheiro. Ficou no cargo até o último dia do seu mandato, enfrentando o caos financeiro-administrativo, criado por Sarney/Collor.
Na escolha do candidato do PMDB à sua sucessão, Henrique Santillo optou por Antônio Faleiros, secretário da Saúde. Queria homenagear o companheiro que lhe foi solidário no episódio com o césio 137. Incumbiu-me de conversar com Iris Rezende Machado, que ocupava o Ministério da Agricultura, sobre sua decisão. O ministro disse-me que não tinha nenhuma restrição política ou pessoal a Faleiros, mas que na sua avaliação o PMDB goiano possuía outros companheiros que, no seu entendimento, possuíam mais serviços prestados ao partido. Henrique, escolhendo um desses nomes, o apoiaria.
O governador e alguns assessores chegaram à conclusão que Iris Rezende queria ele próprio ser o candidato. Qualquer outro nome que fosse aventado seria pelo ministro descartado. Insistiu com o nome de Faleiros. Convocou as lideranças peemedebistas a Goiânia para ouvi-las. A maioria se mostrou de acordo.
Ao mesmo tempo Iris Rezende Machado em outro ponto de Goiânia se reunia com o mesmo pessoal. Mostrava-se disposto a disputar o governo, desde que todos lhe dessem o apoio integral. Só seria candidato com o partido unido.
Sendo Iris Rezende conhecido de todos e que, com ele, a vitória era certa, as lideranças foram abraçando seu projeto, afastando-se de Faleiros. Eram amigas e respeitavam Henrique Santillo, mas queriam ganhar a eleição. Fui a voz isolada que trabalhou junto ao governador para aceitar a candidatura de Iris ao governo. Os chamados “luas pretas”, dos dois lados, não queriam conciliação. Queriam tirar vantagem pessoal com a divisão.
Sentindo que era impossível enfrentar Iris, que tinha maioria no diretório regional do PMDB, maioria dos delegados municipais e maioria nas bancadas de deputados estaduais e federais que formariam a Convenção do partido, o governador refluiu da ideia de lançar Faleiros.
Henrique Santillo liberou seus companheiros para apoiarem Iris Rezende e continuou administrando a crise que lhe foi montada por Sarney/Collor. Não teve sequer o direito de mostrar aos goianos a violência perpetrada contra seu governo. Por absoluta falta de condição política não participou do horário eleitoral gratuito. Sofreu tudo calado! Só lhe restou deixar o PMDB após as eleições.
Hoje o governador Alcides Rodrigues vive situação semelhante a que viveu Henrique Santillo em 1990. Seus companheiros, esmagadora maioria, preferem Marconi Perillo a Vanderlan Cardoso. Entendem que se há alguém na base governista que possa enfrentar de igual para igual Iris Rezende, este é Marconi Perillo. Além de governar Goiás por oito anos, Marconi participou da eleição municipal ao lado deles. É natural que não se deixem afetar pelos desentendimentos pessoais dos caciques. Desejam governar por mais quatro anos. Sabem ser muito mais fácil conseguir essa proeza com Marconi que com Vanderlan.
Por pertencer a outra legenda, o que interessa a Alcides Rodrigues é mostrar para a população a herança recebida e o que fez como governador. Aproveitará o horário eleitoral gratuito para defender sua administração. Essa a grande diferença entre Henrique Santillo e Alcides Rodrigues: mesmo que por pragmatismo eleitoral perca companheiros, terá horário no rádio e televisão para fazer sua prestação de contas aos goianos!
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segunda-feira, 15 de março de 2010
Sarney e Collor inviabilizaram Henrique Santillo
Publicado na edição de 11/03/2010 do jornal Diário da Manhã
Como secretário de Governo de Henrique Santillo em 1990, acompanhei todos os detalhes da angústia sofrida por ele, pela perseguição política praticada contra seu governo, pelos presidentes José Sarney e Fernando Collor de Melo.
Conhecendo a realidade de todos municípios goianos, e por ser municipalista, o governador assumiu consigo mesmo, compromisso de ajudá-los. Percorrendo todas as regiões conheceu de perto o sofrimento da população interiorana, decidindo que poderia como governador, melhorar a vida daquela gente. Na consulta que efetuou junto aos prefeitos definiu-se que asfaltamento urbano das cidades era a grande reivindicação.
Os prefeitos afirmavam que o extraordinário programa de pavimentação de rodovias estaduais feito pelo governo Íris Rezende, despertou na população de todos os municípios o interesse pela pavimentação urbana. Não possuindo recursos suficientes para execução do benefício, recorreram ao governador.
O Estado também não dispunha de recursos suficientes para atende-los. Não queria ajudar alguns deixando outros ao abandono, elaborou projeto que beneficiasse todos, levando-o a apreciação do presidente José Sarney e do ministro do Desenvolvimento Urbano, Prisco Viana. Gostaram do que viram e se comprometeram fazer empréstimo especial a Goiás, pela Caixa Econômica Federal.
Henrique Santillo autorizou o diretor geral do Dergo, João Batista Alves, criar o Programa de Pavimentação Municipal – PPM. Em pouco tempo milhões de metros quadrados de asfalto cobriram as principais vias públicas de todas as cidades goianas. A pavimentação urbana feita pela administração Henrique Santillo às cidades goianas, se em rodovias, daria para asfaltar uma estrada de Goiânia a Uberlândia, em duas pistas.
Cidades ganharam visão urbanística nova. Moradores reformaram ou pintaram seus imóveis. Terrenos baldios logo receberam construções de ótima qualidade Os prefeitos construíram e ajardinaram praças, preservaram áreas ambientais e fizeram calçadas dos locais públicos. A limpeza foi implantada a partir da pavimentação em quase todas as cidades. Melhorou o padrão de saúde e vida da população.
Enquanto o serviço era realizado de forma ágil, fui com Henrique Santillo algumas vezes ao Palácio do Planalto, em busca da liberação dos recursos prometidos pelo presidente Sarney. De lá ele nos encaminhava para o ministro Prisco Viana, que por sua vez nos mandava para o Vioti, presidente da Caixa Econômica Federal. Essa ciranda do “jogo de empurra”, nós a realizamos no mínimo quatro vezes. Por fim, cansado e desiludido com tanto descaso e desrespeito, o governador Henrique Santillo encontrou uma solução doméstica para saldar a divida com as empresas que fizeram a pavimentação: emitiu Letras do Tesouro Estadual de longo prazo, tendo como avalista o Banco do Estado de Goiás-BEG, colocando-as no mercado, fazendo caixa para o Tesouro do Estado.
Collor, ao tomar posse, assinou decreto elaborado pela sua ministra do Planejamento, Zélia Cardoso, proibindo estados e municípios emitirem Letras do Tesouro, exigindo o resgate imediato das já emitidas. Ao governador Henrique Santillo não restava outra alternativa que não fosse resgatar as letras vendidas, pois caso contrário o BEG seria liquidado extra-judicialmente.
O governador foi ao Banco Central, acertou com o seu presidente Ebrahim Eris que o valor total das Letras do Tesouro por ele emitidas, seria pago nos 10 meses de administração que ainda lhe restavam, com retenção de parte do Fundo de Participação dos Estados, que o Tesouro Federal repassa mensalmente aos Estados. Sem contar com o FPE completo, Henrique Santillo evitou que o BEG fosse liquidado, pagou a divida do PPM e se inviabilizou administrativamente.
Como secretário de Governo de Henrique Santillo em 1990, acompanhei todos os detalhes da angústia sofrida por ele, pela perseguição política praticada contra seu governo, pelos presidentes José Sarney e Fernando Collor de Melo.
Conhecendo a realidade de todos municípios goianos, e por ser municipalista, o governador assumiu consigo mesmo, compromisso de ajudá-los. Percorrendo todas as regiões conheceu de perto o sofrimento da população interiorana, decidindo que poderia como governador, melhorar a vida daquela gente. Na consulta que efetuou junto aos prefeitos definiu-se que asfaltamento urbano das cidades era a grande reivindicação.
Os prefeitos afirmavam que o extraordinário programa de pavimentação de rodovias estaduais feito pelo governo Íris Rezende, despertou na população de todos os municípios o interesse pela pavimentação urbana. Não possuindo recursos suficientes para execução do benefício, recorreram ao governador.
O Estado também não dispunha de recursos suficientes para atende-los. Não queria ajudar alguns deixando outros ao abandono, elaborou projeto que beneficiasse todos, levando-o a apreciação do presidente José Sarney e do ministro do Desenvolvimento Urbano, Prisco Viana. Gostaram do que viram e se comprometeram fazer empréstimo especial a Goiás, pela Caixa Econômica Federal.
Henrique Santillo autorizou o diretor geral do Dergo, João Batista Alves, criar o Programa de Pavimentação Municipal – PPM. Em pouco tempo milhões de metros quadrados de asfalto cobriram as principais vias públicas de todas as cidades goianas. A pavimentação urbana feita pela administração Henrique Santillo às cidades goianas, se em rodovias, daria para asfaltar uma estrada de Goiânia a Uberlândia, em duas pistas.
Cidades ganharam visão urbanística nova. Moradores reformaram ou pintaram seus imóveis. Terrenos baldios logo receberam construções de ótima qualidade Os prefeitos construíram e ajardinaram praças, preservaram áreas ambientais e fizeram calçadas dos locais públicos. A limpeza foi implantada a partir da pavimentação em quase todas as cidades. Melhorou o padrão de saúde e vida da população.
Enquanto o serviço era realizado de forma ágil, fui com Henrique Santillo algumas vezes ao Palácio do Planalto, em busca da liberação dos recursos prometidos pelo presidente Sarney. De lá ele nos encaminhava para o ministro Prisco Viana, que por sua vez nos mandava para o Vioti, presidente da Caixa Econômica Federal. Essa ciranda do “jogo de empurra”, nós a realizamos no mínimo quatro vezes. Por fim, cansado e desiludido com tanto descaso e desrespeito, o governador Henrique Santillo encontrou uma solução doméstica para saldar a divida com as empresas que fizeram a pavimentação: emitiu Letras do Tesouro Estadual de longo prazo, tendo como avalista o Banco do Estado de Goiás-BEG, colocando-as no mercado, fazendo caixa para o Tesouro do Estado.
Collor, ao tomar posse, assinou decreto elaborado pela sua ministra do Planejamento, Zélia Cardoso, proibindo estados e municípios emitirem Letras do Tesouro, exigindo o resgate imediato das já emitidas. Ao governador Henrique Santillo não restava outra alternativa que não fosse resgatar as letras vendidas, pois caso contrário o BEG seria liquidado extra-judicialmente.
O governador foi ao Banco Central, acertou com o seu presidente Ebrahim Eris que o valor total das Letras do Tesouro por ele emitidas, seria pago nos 10 meses de administração que ainda lhe restavam, com retenção de parte do Fundo de Participação dos Estados, que o Tesouro Federal repassa mensalmente aos Estados. Sem contar com o FPE completo, Henrique Santillo evitou que o BEG fosse liquidado, pagou a divida do PPM e se inviabilizou administrativamente.
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domingo, 14 de março de 2010
A melhor defesa: sua vida e sua obra, por Adhemar Santillo e Romualdo Santillo
Publicado no jornal Diário da Manhã
Ele era um homem que estava bem à frente de seu tempo. Acreditava nas pessoas e sonhava com um mundo melhor, mais justo, mais humano, com uma distribuição de rendas e riquezas que realmente elevasse o nível de vida de todos, não apenas de alguns poucos privilegiados. Via cada cidadã, cada cidadão, via todos como agentes, participantes e beneficiários das mudanças sociais e econômicas. Não admitia que o povo fosse apenas um mero espectador do progresso e, muito menos, um instrumento de manobras em mãos de políticos sem escrúpulos.
Ele tinha aversão ao populismo.
Quantas obras públicas construiu quando governador de Goiás, entregou-as aos goianos sequer as inaugurando? Sem festas, sem bandas de música, sem foguetórios, sem gastanças em propagandas impressas e televisivas? Era ele um político diferente. Avesso às promoções pesssoais, perseguia tenazmente o ideal de seus sonhos, sem jamais pisotear na dignidade de quem quer que fosse para atingir os seus objetivos.
Em 1987, Henrique Santillo recebeu o Estado com uma dívida equivalente a 2 bilhões de dólares, a parte da receita futura comprometida com antecipações. Os servidores estaduais estavam em greve, e voltaram ao trabalho, dando-lhe um voto de confiança. Não se arrependeram disso, pois Santillo, naquela época de inflação galopante, nunca deixou que os salários do funcionalismo público se defasassem. Até hoje, grande parte dos servidores estaduais tem saudades da política salarial que foi adotada por ele em seus quatro anos de governo.
Mal tinha organizado a casa, ocorreu o episódio do Césio 137. Uma cápsula de aparelho radiológico, contendo material radioativo, foi achada nos escombros da antiga Santa Casa, no Centro de Goiânia, por um catador de papel e ferro velho, e cuja história os goianos e os brasileiros conhecem muito bem. Naquele episódio, praticamente sozinho, Henrique Santillo teve inclusive de definir onde depositar os rejeitos, uma vez que o governo federal, responsável pela fiscalização e pela destinação desse tipo de material, cruzou os seus braços, enquanto, interminavelmente, o Congresso Nacional discutia se mandava ou não aquele lixo para a Serra do Caximbo, no Pará, o que contava com a oposição ferrenha de todos os políticos do Norte e do Nordeste do País. Comandando pessoalmente, com auxílio da Polícia Militar do Estado de Goiás, levou o material radioativo para Abadia de Goiás, onde seria um depósito provisório. Hoje, passados quase vinte anos, o provisório virou permanente. Se fosse depender de decisão federal, até hoje o lixo atômico estaria no Centro de Goiânia. À época, Santillo lutou bravamente contra a discriminação que a grande imprensa do País impôs aos goianos.
Mesmo com tantas dificuldades, Henrique Santillo deu um avanço substancial na área de saúde do Estado, construindo sete Cais em Goiânia, cinco nas cidades do interior, dez hospitais regionais e o Hugo (Hospital de Urgências de Goiânia), 30 postos de saúde na capital, aumentando de 20 mil para 250 mil pessoas o atendimento médico público. Cidades menores que não contavam com médicos receberam 600 agentes de saúde treinados, um programa de saúde pública pioneiro no Brasil.
Levou água potável a praticamente todos os municípios de Goiás. Aumentou de 600 mil para 850 mil o número de famílias atendidas pelos serviços de energia elétrica, com programas sociais que iam de tarifas menores aos padrões econômicos fornecidos pela própria Celg. Assim foi no Jardim Tiradentes, no Jardim Curitiba, em bairros pobres de todos os centros urbanos de Goiás, onde milhares de famílias tiveram acesso a esse benefício. Mais de 46 mil famílias de mini e micros produtores rurais foram atendidas pelo programa de eletrificação rural.
Criou a Universidade Estadual de Anápolis (Uniana), construiu a Usina Hidrelétrica de São Domingos, dotou Anápolis do mais moderno sistema de coleta e tratamento de esgoto sanitário e deu início às obras da Estação de Tratamento de Esgotos de Goiânia.
Construiu 623 quilômetros de asfalto em ruas e avenidas de todas as cidades de Goiás, no mais arrojado programa municipalista já visto no Estado. Antes de iniciar esse programa de pavimentação municipal, Santillo conversou com o presidente Sarney, que se comprometeu em financiá-lo pela Caixa Econômica Federal. Com o passar dos meses, as obras em andamento em todos os municípios, aconteceu a Convenção Nacional do PMDB para escolha do candidato à Presidência da República, e o preferido de Sarney ficou em terceiro lugar, o que o irritou profundamente. Assim, o presidente encontrou um modo de retaliar o governador Henrique Santillo, a quem ele responsabilizava pela derrota do seu candidato. O governo federal não honrou os compromissos que foram assumidos com o governador. Diante da ação intempestiva do presidente, Santillo se viu obrigado a emitir letras do tesouro estadual, para saldar os compromissos assumidos com as empresas pavimentadoras do PPM. Com a chegada de Fernando Collor de Melo à Presidência da República, foi baixado decreto cancelando todas as letras emitidas pelos Estados, tornando sem feito aquelas emitidas por Goiás. Para não sacrificar o Banco do Estado de Goiás, que era avalista das letras, cuja liquidação extra-judicial poderia ser decretada pelo governo federal, Henrique Santillo negociou com o Banco Central do Brasil o pagamento de toda a dívida, até o final do seu governo (o que foi feito), com parte do Fundo de Participação dos Estados. Dessa forma, tais episódios desestabilizaram a sua administração no último ano de governo.
Embora fosse seu plano candidatar-se ao Senado em 1990, entregando o governo ao presidente da Assembléia Legislativa, deputado Milton Alves (uma vez que Roriz, vice-governador, estava governando Brasília), Santillo resolveu permanecer no cargo até o último dia, enfrentando, ele mesmo, as dificuldades que adviriam na reta final de sua administração.
Portanto, Henrique Santillo não precisa de ninguém para o defender de nada. Sua melhor defesa é sua vida e sua obra.
Adhemar Santillo
ex-prefeito de Anápolis e ex-deputado por Goiás
Romualdo Santillo
ex-deputado estadual de Goiás
Ele era um homem que estava bem à frente de seu tempo. Acreditava nas pessoas e sonhava com um mundo melhor, mais justo, mais humano, com uma distribuição de rendas e riquezas que realmente elevasse o nível de vida de todos, não apenas de alguns poucos privilegiados. Via cada cidadã, cada cidadão, via todos como agentes, participantes e beneficiários das mudanças sociais e econômicas. Não admitia que o povo fosse apenas um mero espectador do progresso e, muito menos, um instrumento de manobras em mãos de políticos sem escrúpulos.
Ele tinha aversão ao populismo.
Quantas obras públicas construiu quando governador de Goiás, entregou-as aos goianos sequer as inaugurando? Sem festas, sem bandas de música, sem foguetórios, sem gastanças em propagandas impressas e televisivas? Era ele um político diferente. Avesso às promoções pesssoais, perseguia tenazmente o ideal de seus sonhos, sem jamais pisotear na dignidade de quem quer que fosse para atingir os seus objetivos.
Em 1987, Henrique Santillo recebeu o Estado com uma dívida equivalente a 2 bilhões de dólares, a parte da receita futura comprometida com antecipações. Os servidores estaduais estavam em greve, e voltaram ao trabalho, dando-lhe um voto de confiança. Não se arrependeram disso, pois Santillo, naquela época de inflação galopante, nunca deixou que os salários do funcionalismo público se defasassem. Até hoje, grande parte dos servidores estaduais tem saudades da política salarial que foi adotada por ele em seus quatro anos de governo.
Mal tinha organizado a casa, ocorreu o episódio do Césio 137. Uma cápsula de aparelho radiológico, contendo material radioativo, foi achada nos escombros da antiga Santa Casa, no Centro de Goiânia, por um catador de papel e ferro velho, e cuja história os goianos e os brasileiros conhecem muito bem. Naquele episódio, praticamente sozinho, Henrique Santillo teve inclusive de definir onde depositar os rejeitos, uma vez que o governo federal, responsável pela fiscalização e pela destinação desse tipo de material, cruzou os seus braços, enquanto, interminavelmente, o Congresso Nacional discutia se mandava ou não aquele lixo para a Serra do Caximbo, no Pará, o que contava com a oposição ferrenha de todos os políticos do Norte e do Nordeste do País. Comandando pessoalmente, com auxílio da Polícia Militar do Estado de Goiás, levou o material radioativo para Abadia de Goiás, onde seria um depósito provisório. Hoje, passados quase vinte anos, o provisório virou permanente. Se fosse depender de decisão federal, até hoje o lixo atômico estaria no Centro de Goiânia. À época, Santillo lutou bravamente contra a discriminação que a grande imprensa do País impôs aos goianos.
Mesmo com tantas dificuldades, Henrique Santillo deu um avanço substancial na área de saúde do Estado, construindo sete Cais em Goiânia, cinco nas cidades do interior, dez hospitais regionais e o Hugo (Hospital de Urgências de Goiânia), 30 postos de saúde na capital, aumentando de 20 mil para 250 mil pessoas o atendimento médico público. Cidades menores que não contavam com médicos receberam 600 agentes de saúde treinados, um programa de saúde pública pioneiro no Brasil.
Levou água potável a praticamente todos os municípios de Goiás. Aumentou de 600 mil para 850 mil o número de famílias atendidas pelos serviços de energia elétrica, com programas sociais que iam de tarifas menores aos padrões econômicos fornecidos pela própria Celg. Assim foi no Jardim Tiradentes, no Jardim Curitiba, em bairros pobres de todos os centros urbanos de Goiás, onde milhares de famílias tiveram acesso a esse benefício. Mais de 46 mil famílias de mini e micros produtores rurais foram atendidas pelo programa de eletrificação rural.
Criou a Universidade Estadual de Anápolis (Uniana), construiu a Usina Hidrelétrica de São Domingos, dotou Anápolis do mais moderno sistema de coleta e tratamento de esgoto sanitário e deu início às obras da Estação de Tratamento de Esgotos de Goiânia.
Construiu 623 quilômetros de asfalto em ruas e avenidas de todas as cidades de Goiás, no mais arrojado programa municipalista já visto no Estado. Antes de iniciar esse programa de pavimentação municipal, Santillo conversou com o presidente Sarney, que se comprometeu em financiá-lo pela Caixa Econômica Federal. Com o passar dos meses, as obras em andamento em todos os municípios, aconteceu a Convenção Nacional do PMDB para escolha do candidato à Presidência da República, e o preferido de Sarney ficou em terceiro lugar, o que o irritou profundamente. Assim, o presidente encontrou um modo de retaliar o governador Henrique Santillo, a quem ele responsabilizava pela derrota do seu candidato. O governo federal não honrou os compromissos que foram assumidos com o governador. Diante da ação intempestiva do presidente, Santillo se viu obrigado a emitir letras do tesouro estadual, para saldar os compromissos assumidos com as empresas pavimentadoras do PPM. Com a chegada de Fernando Collor de Melo à Presidência da República, foi baixado decreto cancelando todas as letras emitidas pelos Estados, tornando sem feito aquelas emitidas por Goiás. Para não sacrificar o Banco do Estado de Goiás, que era avalista das letras, cuja liquidação extra-judicial poderia ser decretada pelo governo federal, Henrique Santillo negociou com o Banco Central do Brasil o pagamento de toda a dívida, até o final do seu governo (o que foi feito), com parte do Fundo de Participação dos Estados. Dessa forma, tais episódios desestabilizaram a sua administração no último ano de governo.
Embora fosse seu plano candidatar-se ao Senado em 1990, entregando o governo ao presidente da Assembléia Legislativa, deputado Milton Alves (uma vez que Roriz, vice-governador, estava governando Brasília), Santillo resolveu permanecer no cargo até o último dia, enfrentando, ele mesmo, as dificuldades que adviriam na reta final de sua administração.
Portanto, Henrique Santillo não precisa de ninguém para o defender de nada. Sua melhor defesa é sua vida e sua obra.
Adhemar Santillo
ex-prefeito de Anápolis e ex-deputado por Goiás
Romualdo Santillo
ex-deputado estadual de Goiás
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