Deve ser tática de marqueteiros, mas as constantes agressões de Iris Rezende Machado a Henrique Santillo, usadas para obtenção de prestígio e votos, não tem dado certo. Os eleitores antigos que apoiavam o MDB têm verdadeira adoração pelo político anapolino. Se orgulham até hoje da forma destemida que combatia a ditadura. Foi referência nacional da resistência democrática exercida pelos autênticos do MDB. Os que já o conheceram como governador da mesma forma se orgulham da sua luta, enfrentando com altivez e competência o maior acidente radioativo ocorrido em território brasileiro. O acidente com o Césio 137, em Goiânia, em 1987. Enquanto alguns políticos goianos fugiram do Estado, abandonando a população goianiense, Henrique Santillo enfrentou a catástrofe brava e heroicamente. Enquanto os congressistas em Brasília, discutiam interminavelmente para onde deveria ser levado lixo atômico espalhado pelas ruas de Goiânia, Henrique Santillo determinava sua retirada de madrugada, para o depósito provisório em Abadia de Goiás. Até hoje, depois de 23 anos do acidente, o Congresso Nacional não encerrou a discussão. Não há lei regulamentando a matéria e os rejeitos radioativos continuam no depósito provisório. Na defesa dos goianos discriminados, Henrique Santillo procurou a grande imprensa nacional, protestando contra o crime que estava praticando contra Goiás. Revista Isto É, com sua manchete de capa: Goiânia Nunca Mais! Por baixo um homem ardendo em chamas radioativas, foi exemplo dessa discriminação. Foi duro na resposta à apresentadora Hebe Camargo, que se atrevia a discutir assunto desconhecido até mesmo pela comunidade científica. Henrique Santillo, tão envolvido na solução da catástrofe em Goiânia, não teve tempo para comemorar a realização da etapa do campeonato mundial de motociclismo que aconteceu na mesma época, em Goiânia. Pelo seu excelente conhecimento cultural e comprometimento com os avanços sociais, é o mais querido e admirado político goiano, pela juventude. Agredir um cidadão ético e responsável como foi Henrique Santillo, denigre o detrator e empobrece seu currículo.
Anápolis é um capítulo a parte. Desde a primeira vitória de Marconi ao governo estadual, em 1998, os anapolinos se sentiram atingidos pelas agressões a Henrique Santillo, aplicando a Iris Rezende derrotas cada vez maiores. Grande parte do prestígio de Marconi Perillo no munícipio se deve à sua lealdade a Henrique Santillo. A rejeição que os anapolinos nutrem por Iris Rezendetem tem sido pela forma descortês que tem tratado Henrique Santillo.
No domingo quando ia votar no Colégio Antesina Santana, fui abordado por Divino Eurípedes Batista, antigo companheiro de MDB, indignado com os ataques gratuitos a Henrique Santillo, no último debate com Marconi Perillo, na TV Anhanguera. Depois de lamentar as agressões de Iris, de quem já foi eleitor, acrescentou:
"Quando Iris foi cassado como prefeito de Goiânia, em 1969 e teve seus direitos políticos suspensos por 10 anos, todos nós choramos e lamentamos pelo ostracismo em que foi colocado compulsoriamente pela ditadura de 1964. Iris ficou até 1980 cuidando da advocacia e seus bens pessoais. Não militava ou participava de atividades políticas. Foram vocês do MDB, comandados por Henrique Santillo, que combateram a ditadura e organizavam o partido pelo Estado inteiro. Venceram o pessimismo dos que queriam o fim do MDB em 1974. Deram a volta por cima elegendo pela primeira vez no período ditatorial a eleição para o Senado, com Lázaro Barbosa. Henrique Santillo desde 1974 era o candidato natural da oposição ao governo do Estado. Em 1978, com o "pacote de abril" de 1977, mais uma vez tiraram de Santillo o direito de disputar o governo. Eliminaram ainda uma das vagas ao Senado que foi preenchida por senador sem voto, senador biônico. Henrique Santillo e Juarez Bernardes foram candidatos em sublegendas pelo MDB, enfrentando os arenistas Osires Teixeira, Jarmund Nasser e Jonas Duarte. O MDB venceu e Henrique eleito por ter sido o mais votado. A partir daquele instante não tínhamos mais nenhuma dúvida que o MDB venceria qualquer eleição majoritária em Goiás e que Henrique Santillo era a maior liderança política do Estado. Como nunca se preocupou em ser coronel e dono de partido, quando Henrique Santillo acordou, tinha a liderança e os votos, mas Iris Rezende Machado controlava o diretório estadual do PMDB. Henrique Santillo humildimente, para não estragar as pretensões de Iris desistiu da sua candidatura. Henrique poderia, se quisesse, ser candidato pelo PT. Como não queria fazer concessão à Arena, apoiou Iris, adiando por mais quatro anos seu projeto ao governo. Entregou para Iris partido imbatível em Goiás. Partido que vocês e os companheiros construíram durante os 10 anos em que Iris esteve afastado por força do arbítrio. Agredir Henrique Santillo é agredir quem lhe construiu a casa para voltar a militar seguro na política. Agredir sua memória? É desrespeito! É ingratidão!"
Abraçou-me e foi embora.
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Diferença entre Santillo e Alcides
Publicado na edição de 08/04/2010 do jornal Diário da Manhã
Depois de enfrentar e resolver até mesmo o local para o armazenamento do lixo radioativo, do terrível acidente com o césio 137, em setembro de 1987, sem qualquer participação do governo federal, Henrique Santillo ainda sofreu dura retaliação política da dupla José Sarney e Fernando Collor de Melo, no final do seu governo.
Sarney se comprometera a financiar pela Caixa Econômica Federal o programa que o governador realizou asfaltando ruas e avenidas dos municípios goianos. Não honrou o compromisso, obrigando o governador a se utilizar de Letras do Tesouro Estadual para saldar a dívida com as empresas que realizaram a pavimentação. Collor, em seguida, exigiu que as letras emitidas fossem resgatadas pelo governo estadual alguns dias após a emissão, comprometendo grande parte do Fundo de Participação do Estado – FPE. Desequilibrou a finança estadual, inviabilizando o final da administração Henrique Santillo.
Cidadão responsável, o governador abriu mão do seu projeto eleitoral pessoal para 1990, não passando o governo ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Milton Alves. Entendeu que seria deslealdade entregar administração desequilibrada ao companheiro. Ficou no cargo até o último dia do seu mandato, enfrentando o caos financeiro-administrativo, criado por Sarney/Collor.
Na escolha do candidato do PMDB à sua sucessão, Henrique Santillo optou por Antônio Faleiros, secretário da Saúde. Queria homenagear o companheiro que lhe foi solidário no episódio com o césio 137. Incumbiu-me de conversar com Iris Rezende Machado, que ocupava o Ministério da Agricultura, sobre sua decisão. O ministro disse-me que não tinha nenhuma restrição política ou pessoal a Faleiros, mas que na sua avaliação o PMDB goiano possuía outros companheiros que, no seu entendimento, possuíam mais serviços prestados ao partido. Henrique, escolhendo um desses nomes, o apoiaria.
O governador e alguns assessores chegaram à conclusão que Iris Rezende queria ele próprio ser o candidato. Qualquer outro nome que fosse aventado seria pelo ministro descartado. Insistiu com o nome de Faleiros. Convocou as lideranças peemedebistas a Goiânia para ouvi-las. A maioria se mostrou de acordo.
Ao mesmo tempo Iris Rezende Machado em outro ponto de Goiânia se reunia com o mesmo pessoal. Mostrava-se disposto a disputar o governo, desde que todos lhe dessem o apoio integral. Só seria candidato com o partido unido.
Sendo Iris Rezende conhecido de todos e que, com ele, a vitória era certa, as lideranças foram abraçando seu projeto, afastando-se de Faleiros. Eram amigas e respeitavam Henrique Santillo, mas queriam ganhar a eleição. Fui a voz isolada que trabalhou junto ao governador para aceitar a candidatura de Iris ao governo. Os chamados “luas pretas”, dos dois lados, não queriam conciliação. Queriam tirar vantagem pessoal com a divisão.
Sentindo que era impossível enfrentar Iris, que tinha maioria no diretório regional do PMDB, maioria dos delegados municipais e maioria nas bancadas de deputados estaduais e federais que formariam a Convenção do partido, o governador refluiu da ideia de lançar Faleiros.
Henrique Santillo liberou seus companheiros para apoiarem Iris Rezende e continuou administrando a crise que lhe foi montada por Sarney/Collor. Não teve sequer o direito de mostrar aos goianos a violência perpetrada contra seu governo. Por absoluta falta de condição política não participou do horário eleitoral gratuito. Sofreu tudo calado! Só lhe restou deixar o PMDB após as eleições.
Hoje o governador Alcides Rodrigues vive situação semelhante a que viveu Henrique Santillo em 1990. Seus companheiros, esmagadora maioria, preferem Marconi Perillo a Vanderlan Cardoso. Entendem que se há alguém na base governista que possa enfrentar de igual para igual Iris Rezende, este é Marconi Perillo. Além de governar Goiás por oito anos, Marconi participou da eleição municipal ao lado deles. É natural que não se deixem afetar pelos desentendimentos pessoais dos caciques. Desejam governar por mais quatro anos. Sabem ser muito mais fácil conseguir essa proeza com Marconi que com Vanderlan.
Por pertencer a outra legenda, o que interessa a Alcides Rodrigues é mostrar para a população a herança recebida e o que fez como governador. Aproveitará o horário eleitoral gratuito para defender sua administração. Essa a grande diferença entre Henrique Santillo e Alcides Rodrigues: mesmo que por pragmatismo eleitoral perca companheiros, terá horário no rádio e televisão para fazer sua prestação de contas aos goianos!
Depois de enfrentar e resolver até mesmo o local para o armazenamento do lixo radioativo, do terrível acidente com o césio 137, em setembro de 1987, sem qualquer participação do governo federal, Henrique Santillo ainda sofreu dura retaliação política da dupla José Sarney e Fernando Collor de Melo, no final do seu governo.
Sarney se comprometera a financiar pela Caixa Econômica Federal o programa que o governador realizou asfaltando ruas e avenidas dos municípios goianos. Não honrou o compromisso, obrigando o governador a se utilizar de Letras do Tesouro Estadual para saldar a dívida com as empresas que realizaram a pavimentação. Collor, em seguida, exigiu que as letras emitidas fossem resgatadas pelo governo estadual alguns dias após a emissão, comprometendo grande parte do Fundo de Participação do Estado – FPE. Desequilibrou a finança estadual, inviabilizando o final da administração Henrique Santillo.
Cidadão responsável, o governador abriu mão do seu projeto eleitoral pessoal para 1990, não passando o governo ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Milton Alves. Entendeu que seria deslealdade entregar administração desequilibrada ao companheiro. Ficou no cargo até o último dia do seu mandato, enfrentando o caos financeiro-administrativo, criado por Sarney/Collor.
Na escolha do candidato do PMDB à sua sucessão, Henrique Santillo optou por Antônio Faleiros, secretário da Saúde. Queria homenagear o companheiro que lhe foi solidário no episódio com o césio 137. Incumbiu-me de conversar com Iris Rezende Machado, que ocupava o Ministério da Agricultura, sobre sua decisão. O ministro disse-me que não tinha nenhuma restrição política ou pessoal a Faleiros, mas que na sua avaliação o PMDB goiano possuía outros companheiros que, no seu entendimento, possuíam mais serviços prestados ao partido. Henrique, escolhendo um desses nomes, o apoiaria.
O governador e alguns assessores chegaram à conclusão que Iris Rezende queria ele próprio ser o candidato. Qualquer outro nome que fosse aventado seria pelo ministro descartado. Insistiu com o nome de Faleiros. Convocou as lideranças peemedebistas a Goiânia para ouvi-las. A maioria se mostrou de acordo.
Ao mesmo tempo Iris Rezende Machado em outro ponto de Goiânia se reunia com o mesmo pessoal. Mostrava-se disposto a disputar o governo, desde que todos lhe dessem o apoio integral. Só seria candidato com o partido unido.
Sendo Iris Rezende conhecido de todos e que, com ele, a vitória era certa, as lideranças foram abraçando seu projeto, afastando-se de Faleiros. Eram amigas e respeitavam Henrique Santillo, mas queriam ganhar a eleição. Fui a voz isolada que trabalhou junto ao governador para aceitar a candidatura de Iris ao governo. Os chamados “luas pretas”, dos dois lados, não queriam conciliação. Queriam tirar vantagem pessoal com a divisão.
Sentindo que era impossível enfrentar Iris, que tinha maioria no diretório regional do PMDB, maioria dos delegados municipais e maioria nas bancadas de deputados estaduais e federais que formariam a Convenção do partido, o governador refluiu da ideia de lançar Faleiros.
Henrique Santillo liberou seus companheiros para apoiarem Iris Rezende e continuou administrando a crise que lhe foi montada por Sarney/Collor. Não teve sequer o direito de mostrar aos goianos a violência perpetrada contra seu governo. Por absoluta falta de condição política não participou do horário eleitoral gratuito. Sofreu tudo calado! Só lhe restou deixar o PMDB após as eleições.
Hoje o governador Alcides Rodrigues vive situação semelhante a que viveu Henrique Santillo em 1990. Seus companheiros, esmagadora maioria, preferem Marconi Perillo a Vanderlan Cardoso. Entendem que se há alguém na base governista que possa enfrentar de igual para igual Iris Rezende, este é Marconi Perillo. Além de governar Goiás por oito anos, Marconi participou da eleição municipal ao lado deles. É natural que não se deixem afetar pelos desentendimentos pessoais dos caciques. Desejam governar por mais quatro anos. Sabem ser muito mais fácil conseguir essa proeza com Marconi que com Vanderlan.
Por pertencer a outra legenda, o que interessa a Alcides Rodrigues é mostrar para a população a herança recebida e o que fez como governador. Aproveitará o horário eleitoral gratuito para defender sua administração. Essa a grande diferença entre Henrique Santillo e Alcides Rodrigues: mesmo que por pragmatismo eleitoral perca companheiros, terá horário no rádio e televisão para fazer sua prestação de contas aos goianos!
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domingo, 14 de março de 2010
A melhor defesa: sua vida e sua obra, por Adhemar Santillo e Romualdo Santillo
Publicado no jornal Diário da Manhã
Ele era um homem que estava bem à frente de seu tempo. Acreditava nas pessoas e sonhava com um mundo melhor, mais justo, mais humano, com uma distribuição de rendas e riquezas que realmente elevasse o nível de vida de todos, não apenas de alguns poucos privilegiados. Via cada cidadã, cada cidadão, via todos como agentes, participantes e beneficiários das mudanças sociais e econômicas. Não admitia que o povo fosse apenas um mero espectador do progresso e, muito menos, um instrumento de manobras em mãos de políticos sem escrúpulos.
Ele tinha aversão ao populismo.
Quantas obras públicas construiu quando governador de Goiás, entregou-as aos goianos sequer as inaugurando? Sem festas, sem bandas de música, sem foguetórios, sem gastanças em propagandas impressas e televisivas? Era ele um político diferente. Avesso às promoções pesssoais, perseguia tenazmente o ideal de seus sonhos, sem jamais pisotear na dignidade de quem quer que fosse para atingir os seus objetivos.
Em 1987, Henrique Santillo recebeu o Estado com uma dívida equivalente a 2 bilhões de dólares, a parte da receita futura comprometida com antecipações. Os servidores estaduais estavam em greve, e voltaram ao trabalho, dando-lhe um voto de confiança. Não se arrependeram disso, pois Santillo, naquela época de inflação galopante, nunca deixou que os salários do funcionalismo público se defasassem. Até hoje, grande parte dos servidores estaduais tem saudades da política salarial que foi adotada por ele em seus quatro anos de governo.
Mal tinha organizado a casa, ocorreu o episódio do Césio 137. Uma cápsula de aparelho radiológico, contendo material radioativo, foi achada nos escombros da antiga Santa Casa, no Centro de Goiânia, por um catador de papel e ferro velho, e cuja história os goianos e os brasileiros conhecem muito bem. Naquele episódio, praticamente sozinho, Henrique Santillo teve inclusive de definir onde depositar os rejeitos, uma vez que o governo federal, responsável pela fiscalização e pela destinação desse tipo de material, cruzou os seus braços, enquanto, interminavelmente, o Congresso Nacional discutia se mandava ou não aquele lixo para a Serra do Caximbo, no Pará, o que contava com a oposição ferrenha de todos os políticos do Norte e do Nordeste do País. Comandando pessoalmente, com auxílio da Polícia Militar do Estado de Goiás, levou o material radioativo para Abadia de Goiás, onde seria um depósito provisório. Hoje, passados quase vinte anos, o provisório virou permanente. Se fosse depender de decisão federal, até hoje o lixo atômico estaria no Centro de Goiânia. À época, Santillo lutou bravamente contra a discriminação que a grande imprensa do País impôs aos goianos.
Mesmo com tantas dificuldades, Henrique Santillo deu um avanço substancial na área de saúde do Estado, construindo sete Cais em Goiânia, cinco nas cidades do interior, dez hospitais regionais e o Hugo (Hospital de Urgências de Goiânia), 30 postos de saúde na capital, aumentando de 20 mil para 250 mil pessoas o atendimento médico público. Cidades menores que não contavam com médicos receberam 600 agentes de saúde treinados, um programa de saúde pública pioneiro no Brasil.
Levou água potável a praticamente todos os municípios de Goiás. Aumentou de 600 mil para 850 mil o número de famílias atendidas pelos serviços de energia elétrica, com programas sociais que iam de tarifas menores aos padrões econômicos fornecidos pela própria Celg. Assim foi no Jardim Tiradentes, no Jardim Curitiba, em bairros pobres de todos os centros urbanos de Goiás, onde milhares de famílias tiveram acesso a esse benefício. Mais de 46 mil famílias de mini e micros produtores rurais foram atendidas pelo programa de eletrificação rural.
Criou a Universidade Estadual de Anápolis (Uniana), construiu a Usina Hidrelétrica de São Domingos, dotou Anápolis do mais moderno sistema de coleta e tratamento de esgoto sanitário e deu início às obras da Estação de Tratamento de Esgotos de Goiânia.
Construiu 623 quilômetros de asfalto em ruas e avenidas de todas as cidades de Goiás, no mais arrojado programa municipalista já visto no Estado. Antes de iniciar esse programa de pavimentação municipal, Santillo conversou com o presidente Sarney, que se comprometeu em financiá-lo pela Caixa Econômica Federal. Com o passar dos meses, as obras em andamento em todos os municípios, aconteceu a Convenção Nacional do PMDB para escolha do candidato à Presidência da República, e o preferido de Sarney ficou em terceiro lugar, o que o irritou profundamente. Assim, o presidente encontrou um modo de retaliar o governador Henrique Santillo, a quem ele responsabilizava pela derrota do seu candidato. O governo federal não honrou os compromissos que foram assumidos com o governador. Diante da ação intempestiva do presidente, Santillo se viu obrigado a emitir letras do tesouro estadual, para saldar os compromissos assumidos com as empresas pavimentadoras do PPM. Com a chegada de Fernando Collor de Melo à Presidência da República, foi baixado decreto cancelando todas as letras emitidas pelos Estados, tornando sem feito aquelas emitidas por Goiás. Para não sacrificar o Banco do Estado de Goiás, que era avalista das letras, cuja liquidação extra-judicial poderia ser decretada pelo governo federal, Henrique Santillo negociou com o Banco Central do Brasil o pagamento de toda a dívida, até o final do seu governo (o que foi feito), com parte do Fundo de Participação dos Estados. Dessa forma, tais episódios desestabilizaram a sua administração no último ano de governo.
Embora fosse seu plano candidatar-se ao Senado em 1990, entregando o governo ao presidente da Assembléia Legislativa, deputado Milton Alves (uma vez que Roriz, vice-governador, estava governando Brasília), Santillo resolveu permanecer no cargo até o último dia, enfrentando, ele mesmo, as dificuldades que adviriam na reta final de sua administração.
Portanto, Henrique Santillo não precisa de ninguém para o defender de nada. Sua melhor defesa é sua vida e sua obra.
Adhemar Santillo
ex-prefeito de Anápolis e ex-deputado por Goiás
Romualdo Santillo
ex-deputado estadual de Goiás
Ele era um homem que estava bem à frente de seu tempo. Acreditava nas pessoas e sonhava com um mundo melhor, mais justo, mais humano, com uma distribuição de rendas e riquezas que realmente elevasse o nível de vida de todos, não apenas de alguns poucos privilegiados. Via cada cidadã, cada cidadão, via todos como agentes, participantes e beneficiários das mudanças sociais e econômicas. Não admitia que o povo fosse apenas um mero espectador do progresso e, muito menos, um instrumento de manobras em mãos de políticos sem escrúpulos.
Ele tinha aversão ao populismo.
Quantas obras públicas construiu quando governador de Goiás, entregou-as aos goianos sequer as inaugurando? Sem festas, sem bandas de música, sem foguetórios, sem gastanças em propagandas impressas e televisivas? Era ele um político diferente. Avesso às promoções pesssoais, perseguia tenazmente o ideal de seus sonhos, sem jamais pisotear na dignidade de quem quer que fosse para atingir os seus objetivos.
Em 1987, Henrique Santillo recebeu o Estado com uma dívida equivalente a 2 bilhões de dólares, a parte da receita futura comprometida com antecipações. Os servidores estaduais estavam em greve, e voltaram ao trabalho, dando-lhe um voto de confiança. Não se arrependeram disso, pois Santillo, naquela época de inflação galopante, nunca deixou que os salários do funcionalismo público se defasassem. Até hoje, grande parte dos servidores estaduais tem saudades da política salarial que foi adotada por ele em seus quatro anos de governo.
Mal tinha organizado a casa, ocorreu o episódio do Césio 137. Uma cápsula de aparelho radiológico, contendo material radioativo, foi achada nos escombros da antiga Santa Casa, no Centro de Goiânia, por um catador de papel e ferro velho, e cuja história os goianos e os brasileiros conhecem muito bem. Naquele episódio, praticamente sozinho, Henrique Santillo teve inclusive de definir onde depositar os rejeitos, uma vez que o governo federal, responsável pela fiscalização e pela destinação desse tipo de material, cruzou os seus braços, enquanto, interminavelmente, o Congresso Nacional discutia se mandava ou não aquele lixo para a Serra do Caximbo, no Pará, o que contava com a oposição ferrenha de todos os políticos do Norte e do Nordeste do País. Comandando pessoalmente, com auxílio da Polícia Militar do Estado de Goiás, levou o material radioativo para Abadia de Goiás, onde seria um depósito provisório. Hoje, passados quase vinte anos, o provisório virou permanente. Se fosse depender de decisão federal, até hoje o lixo atômico estaria no Centro de Goiânia. À época, Santillo lutou bravamente contra a discriminação que a grande imprensa do País impôs aos goianos.
Mesmo com tantas dificuldades, Henrique Santillo deu um avanço substancial na área de saúde do Estado, construindo sete Cais em Goiânia, cinco nas cidades do interior, dez hospitais regionais e o Hugo (Hospital de Urgências de Goiânia), 30 postos de saúde na capital, aumentando de 20 mil para 250 mil pessoas o atendimento médico público. Cidades menores que não contavam com médicos receberam 600 agentes de saúde treinados, um programa de saúde pública pioneiro no Brasil.
Levou água potável a praticamente todos os municípios de Goiás. Aumentou de 600 mil para 850 mil o número de famílias atendidas pelos serviços de energia elétrica, com programas sociais que iam de tarifas menores aos padrões econômicos fornecidos pela própria Celg. Assim foi no Jardim Tiradentes, no Jardim Curitiba, em bairros pobres de todos os centros urbanos de Goiás, onde milhares de famílias tiveram acesso a esse benefício. Mais de 46 mil famílias de mini e micros produtores rurais foram atendidas pelo programa de eletrificação rural.
Criou a Universidade Estadual de Anápolis (Uniana), construiu a Usina Hidrelétrica de São Domingos, dotou Anápolis do mais moderno sistema de coleta e tratamento de esgoto sanitário e deu início às obras da Estação de Tratamento de Esgotos de Goiânia.
Construiu 623 quilômetros de asfalto em ruas e avenidas de todas as cidades de Goiás, no mais arrojado programa municipalista já visto no Estado. Antes de iniciar esse programa de pavimentação municipal, Santillo conversou com o presidente Sarney, que se comprometeu em financiá-lo pela Caixa Econômica Federal. Com o passar dos meses, as obras em andamento em todos os municípios, aconteceu a Convenção Nacional do PMDB para escolha do candidato à Presidência da República, e o preferido de Sarney ficou em terceiro lugar, o que o irritou profundamente. Assim, o presidente encontrou um modo de retaliar o governador Henrique Santillo, a quem ele responsabilizava pela derrota do seu candidato. O governo federal não honrou os compromissos que foram assumidos com o governador. Diante da ação intempestiva do presidente, Santillo se viu obrigado a emitir letras do tesouro estadual, para saldar os compromissos assumidos com as empresas pavimentadoras do PPM. Com a chegada de Fernando Collor de Melo à Presidência da República, foi baixado decreto cancelando todas as letras emitidas pelos Estados, tornando sem feito aquelas emitidas por Goiás. Para não sacrificar o Banco do Estado de Goiás, que era avalista das letras, cuja liquidação extra-judicial poderia ser decretada pelo governo federal, Henrique Santillo negociou com o Banco Central do Brasil o pagamento de toda a dívida, até o final do seu governo (o que foi feito), com parte do Fundo de Participação dos Estados. Dessa forma, tais episódios desestabilizaram a sua administração no último ano de governo.
Embora fosse seu plano candidatar-se ao Senado em 1990, entregando o governo ao presidente da Assembléia Legislativa, deputado Milton Alves (uma vez que Roriz, vice-governador, estava governando Brasília), Santillo resolveu permanecer no cargo até o último dia, enfrentando, ele mesmo, as dificuldades que adviriam na reta final de sua administração.
Portanto, Henrique Santillo não precisa de ninguém para o defender de nada. Sua melhor defesa é sua vida e sua obra.
Adhemar Santillo
ex-prefeito de Anápolis e ex-deputado por Goiás
Romualdo Santillo
ex-deputado estadual de Goiás
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