Publicado na edição de 10/06/2010 do jornal Diário da Manhã
O voto do eleitor brasileiro tem sido muito mais pelo emocional que pela razão. Isso porque ninguém acredita em “proposta” de candidato. Só vamos alterar essa cultura, quando eleitor, além de votar, exigir do eleito que cumpra a palavra empenhada na campanha eleitoral.
Os japoneses estão nos dando, mais uma vez, lição de democracia e cidadania. O primeiro-ministro Yukio Hatoyama , antes de completar nove meses no cargo, foi obrigado a renunciar sob pressão popular. Hatoyama assumiu compromisso de, sendo eleito, retirar a base militar do exército americano em Okinawa, ilha no sul do Japão. No cargo, desistiu da ideia, passando a defender a presença da base em solo japonês por questão de segurança nacional. Sua mudança de comportamento revoltou a população, obrigando-o a renunciar o cargo.
Para substitui-lo, foi designado Naoto Kan, que ao contrário de Hatoyama defendeu publicamente a permanência da base militar de Okinawa. O povo aceitou sua proposta. A revolta popular não se deu pela manutenção ou retirada da base militar americana, mas sim por promessa enganosa. O japonês não aceitou ter sido enganado, exigindo sua renúncia sob pena de impingir-lhe fragorosa derrota na próxima eleição parlamentar. Seu substituto defendeu a presença da base militar americana e foi aceito pela maioria, sem nenhuma contestação. Governante tem que ter segurança nas suas propostas. Perdendo a confiança da população não merece permanecer no cargo.
Infelizmente, aqui entre nós, a maioria diz que “conversa de político e risco na água têm o mesmo valor”. Por isso que os debates políticos se aproximam cada vez mais de programas policiais, em que o denuncismo prevalece. Vence quem melhor denuncia, mais ataca e usa de expedientes ilícitos. Vence quem melhor mexe com o emocional do eleitor. Além de nada proporem, muitos, ao assumirem o cargo, destroem ou não dão manutenção às obras que seus antecessores realizaram.
O Projeto Dom Bosco, criado em Anápolis desde 1986, é ótimo exemplo dessa irresponsabilidade. Durante seu funcionamento, instruiu e encaminhou milhares de crianças e jovens à aprendizagem profissional e ao primeiro emprego. Foi fechado por Ernane de Paula e nunca mais voltou a funcionar pelas administrações que o sucederam. Para Ernane José de Paula, o programa fazia lembrar Adhemar e Onaide Santillo. Por isso teria que ser destruído. Não deixou nem um vestígio da sua existência de tantas conquistas e glórias. Todos equipamentos, máquinas e materiais que lhe pertenciam sumiram. Até a sede principal do Projeto Dom Bosco, que adquirimos da Aeronáutica, na Vila Jaiára, foi repassada à Polícia Militar para instalação de uma unidade da PM. Enquanto isso, os jovens foram jogados à rua. Hoje centenas de garotos, que poderiam estar frequentando o Projeto Dom Bosco, fazem das ruas sua moradia e das drogas e flanelinhas sua aprendizagem.
O Centro Integrado da Mulher (CIM), dirigido pelo médico Maurício Machado, dentro de uma concepção moderna e avançada, desenvolvida pela Universidade de Campinas (Unicamp), em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS), foi por nós implantado em Anápolis. Referência no atendimento à saúde da mulher, dentro e fora de Goiás. Pioneiro no serviço público goiano em prevenção de câncer de mama e colo de útero, evitou que milhares de mulheres contraíssem câncer. Apontado por médicos e entidades que militam na área como o mais importante programa de saúde da mulher em Goiás, foi reduzido a um posto de saúde por Ernane José de Paula, por ter a “cara de Adhemar e Onaide Santillo”. Inaugurado com a presença de José Aristodemos Pinotti, uma das maiores autoridades mundiais em programas de saúde da mulher, que só veio a Anápolis pelo valor do programa e seu pioneirismo em Goiás, o Centro Integrado da Mulher é apenas saudade.
Com a direção do médico Geová Leite Guedes, instalamos na Vila Jaiára o Hospital de Medicina Natural. Da mesma forma que o Projeto Dom Bosco e o CIM, foi extinto sem deixar vestígio.
Infelizmente, ainda não temos a mesma cultura política japonesa.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
Raul Silva, o craque anapolino (Final)
Publicado na edição de 13/06/2010 do jornal Diário da Manhã
Raul Silva, o maior artilheiro do futebol anapolino, em 1949, deixou a rubra. Não concordava com a panelinha dos Puglisi – Júlio, Zeca e Laudo, que só jogavam entre eles. Deixou a equipe, transferindo-se para a União Esportiva Operária em troca de Amir de Souza Ramos, o Mirim, que estava contundido e sem jogar na União Operária.
Em 1953, Raul assistia à partida entre o Flamengo Futebol Clube de Anápolis e o 1º de maio de Goiânia, no Estádio Manoel Demóstenes .O rubro-negro anapolino perdia por 3 x 0. Seu ataque não furava o forte bloqueio dos goianienses. João Queiroz, comandante flamenguista, solicitou a Raul que reforçasse sua equipe. Providenciou todo material esportivo ao artilheiro. Raul marcou 5 gols, sendo que um não foi validado pelo juiz, por não ver a bola entrando e saindo por um buraco na rede. Flamengo venceu por 4 x 3. O último gol, Raul que havia passado pelo zagueiro e tocado a bola entre as pernas do goleiro, foi derrubado. O goleiro caiu sobre o artilheiro. Na queda, Raul fraturou o menisco. Operado, não ficou totalmente recuperado, encerrando sua carreira de futebolista aos 36 anos.
Em 15 de março de 1951, nasceu o São Francisco, sob a presidência de Boulanger Brossi. Teve como presidentes de honra, frei André Quinn e o major Mauro Borges. Em 15 de novembro de 1952, nasceu o Ypiranga Atlético Clube, sob a presidência de Daas Bittar e assessoramento de David Esteves de Azevedo.
Em 1949, foi fundada a Liga Anapolina de Desportos. No mesmo ano, foi disputado o primeiro campeonato anapolino de futebol. A Associação Atlética Anapolina foi a campeã. A rubra venceu os campeonatos de 1950, 1951 e 1952, chegando ao tetra campeonato municipal. Em 1953, o campeão foi o São Francisco. Em 1954, o Anápolis Futebol Clube. Em 1955, novamente o São Francisco foi campeão e encerrou suas atividades esportivas. Em 1956, a Anapolina venceu o Anápolis na partida final, por 2 x 1, sagrando-se mais uma vez campeã. Em 1957, cinquentenário de Anápolis, o campeão foi o Ypiranga. Em 1958, o Anápolis. Em 1959, o campeão anapolino foi o Ypiranga. Em 1960, mais uma vez sagrou-se campeã a Associação Atlética Anapolina. Nos anos de 1961/62, foi campeão o Ypiranga.
Em 31 de agosto de 1963, foi inaugurado o 1º campo com gramado, alambrado e arquibancadas em Anápolis. O Estádio Irani Ferreira Barbosa, pertencente ao Ypiranga, no Bairro Jundiaí. O primeiro jogo no Irani Ferreira Barbosa foi entre Ypiranga e Uberlândia. Vitória do alvinegro por 2 x l. Gols ipiranguistas de Carlos Eli Jardim e Valter Gomes Veloso, Dada.
Em 10 de abril de 1965, foi inaugurado o Estádio Jonas Duarte com o jogo seleção Anapolina x São Paulo Futebol Clube. O São Paulo venceu por 4 x 1.O primeiro gol foi marcado por Rodarte, do São Paulo. Neste mesmo ano, o Anápolis sagrou-se campeão goiano, já no profissionalismo. Repetiu o que sua antecessora, União Esportiva Operária, conseguira em 1947. Em 04 de junho de 1987, próximo de completar 70 anos, faleceu Raul Silva, o maior artilheiro que passou pelos campos de Anápolis.
Adhemar Santillo foi atleta do Ypiranga, cronista esportivo e presidente da Liga Anapolina de Desportos.
Raul Silva, o maior artilheiro do futebol anapolino, em 1949, deixou a rubra. Não concordava com a panelinha dos Puglisi – Júlio, Zeca e Laudo, que só jogavam entre eles. Deixou a equipe, transferindo-se para a União Esportiva Operária em troca de Amir de Souza Ramos, o Mirim, que estava contundido e sem jogar na União Operária.
Em 1953, Raul assistia à partida entre o Flamengo Futebol Clube de Anápolis e o 1º de maio de Goiânia, no Estádio Manoel Demóstenes .O rubro-negro anapolino perdia por 3 x 0. Seu ataque não furava o forte bloqueio dos goianienses. João Queiroz, comandante flamenguista, solicitou a Raul que reforçasse sua equipe. Providenciou todo material esportivo ao artilheiro. Raul marcou 5 gols, sendo que um não foi validado pelo juiz, por não ver a bola entrando e saindo por um buraco na rede. Flamengo venceu por 4 x 3. O último gol, Raul que havia passado pelo zagueiro e tocado a bola entre as pernas do goleiro, foi derrubado. O goleiro caiu sobre o artilheiro. Na queda, Raul fraturou o menisco. Operado, não ficou totalmente recuperado, encerrando sua carreira de futebolista aos 36 anos.
Em 15 de março de 1951, nasceu o São Francisco, sob a presidência de Boulanger Brossi. Teve como presidentes de honra, frei André Quinn e o major Mauro Borges. Em 15 de novembro de 1952, nasceu o Ypiranga Atlético Clube, sob a presidência de Daas Bittar e assessoramento de David Esteves de Azevedo.
Em 1949, foi fundada a Liga Anapolina de Desportos. No mesmo ano, foi disputado o primeiro campeonato anapolino de futebol. A Associação Atlética Anapolina foi a campeã. A rubra venceu os campeonatos de 1950, 1951 e 1952, chegando ao tetra campeonato municipal. Em 1953, o campeão foi o São Francisco. Em 1954, o Anápolis Futebol Clube. Em 1955, novamente o São Francisco foi campeão e encerrou suas atividades esportivas. Em 1956, a Anapolina venceu o Anápolis na partida final, por 2 x 1, sagrando-se mais uma vez campeã. Em 1957, cinquentenário de Anápolis, o campeão foi o Ypiranga. Em 1958, o Anápolis. Em 1959, o campeão anapolino foi o Ypiranga. Em 1960, mais uma vez sagrou-se campeã a Associação Atlética Anapolina. Nos anos de 1961/62, foi campeão o Ypiranga.
Em 31 de agosto de 1963, foi inaugurado o 1º campo com gramado, alambrado e arquibancadas em Anápolis. O Estádio Irani Ferreira Barbosa, pertencente ao Ypiranga, no Bairro Jundiaí. O primeiro jogo no Irani Ferreira Barbosa foi entre Ypiranga e Uberlândia. Vitória do alvinegro por 2 x l. Gols ipiranguistas de Carlos Eli Jardim e Valter Gomes Veloso, Dada.
Em 10 de abril de 1965, foi inaugurado o Estádio Jonas Duarte com o jogo seleção Anapolina x São Paulo Futebol Clube. O São Paulo venceu por 4 x 1.O primeiro gol foi marcado por Rodarte, do São Paulo. Neste mesmo ano, o Anápolis sagrou-se campeão goiano, já no profissionalismo. Repetiu o que sua antecessora, União Esportiva Operária, conseguira em 1947. Em 04 de junho de 1987, próximo de completar 70 anos, faleceu Raul Silva, o maior artilheiro que passou pelos campos de Anápolis.
Adhemar Santillo foi atleta do Ypiranga, cronista esportivo e presidente da Liga Anapolina de Desportos.
domingo, 6 de junho de 2010
Raul Silva, o craque anapolino (III)
Publicado na edição de 06/06/2010 do jornal Diário da Manhã
Ainda no livro "Sou anapolino, com muito orgulho!", em que o médico Wolney Ronaldo Silva escreve a biografia do seu pai, Raul Silva, uma das maiores expressões do futebol anapolino de todos os tempos, relata que, em maio de 1942, o Anápolis Esporte Clube importou 12 jogadores de Ribeirão Preto e região, se transformando na maior expressão do futebol goiano, o Pantera Goiano. Os atletas eram todos profissionais. Ganhavam pequenos salários, mas eram todos profissionais. Apenas Raul Silva, nascido em Anápolis, como atleta amador, depois de muito relutar, fez parte do Pantera Goiano. Mais tarde Arnaldo Vento e Zeca Puglisi integraram a equipe.
Com o afastamento da União Esportiva Operária, o Anápolis Esporte Clube, Pantera Goiano, maior expressão futebolística estadual, arrasava os adversários. O ano de 1943 foi inigualável para uma equipe de futebol. Venceu todas as partidas que disputou: 3 x 2 sobre o Independente de Uberaba; 2 x 1 no Goiânia; 2 x 1 no Atlético Goianiense; 4 x 0 no Goianaz; 2 x 0 sobre o Uberlândia; 1 x 0 contra o Operário de Araguari; 7 x 2 no Goiás; 3 x 0 sobre o Anhanguera de Ipameri; 3 x 2 sobre o Sal Tropeiro de Uberlândia. 4 x 1 no Fluminense de Araguari; 4 x 1 sobre o Atlético Goianiense e 3 x 0 sobre a A.A. Pirenopolina. Fez ainda uma excursão invicta por Uberlândia, Uberaba e Araguari, no Triângulo Mineiro. No retorno goleou todas as equipes de Goiânia. No final de 1945 os jogadores profissionais que defendiam o Pantera Goiano retornaram aos seus estados de origem para disputarem o Campeonato Brasileiro de Seleções. A equipe voltou a jogar com craques anapolinos.
No dia 1º de maio de 1946, Geraldo Rodrigues de Siqueira não se conformando com o desaparecimento da União Operária, encabeçou movimento para o seu retorno. Os trabalhadores atenderam ao seu apelo e a equipe voltou. Dia 17 de abril de 1947, em partida amistosa e histórica, Anápolis Esporte Clube goleou a União Esportiva Operária por 10 x 2.
Ainda em 1947, depois de ser goleada impiedosamente pelo Anápolis por 10 x 2, a União Esportiva Operária, teve que se conformar em participar do 1º Campeonato Goiano de Futebol, disputando a chave do interior. Ao contrário o Anápolis Esporte Clube participou da elite, da chave de Capital. Atlético Clube Goianiense, sagrou-se campeão da Capital. A União Operária foi campeã da chave interiorana.
A diferença de categoria entre as duas equipes finalistas era colossal. O Atlético Goianiense possuía vários jogadores cobiçados pelos melhores time brasileiros. A União Operária era constituída por atletas anapolinos. Foram disputadas duas partidas entre os vencedores das duas chaves para que fosse conhecido o campeão goiano de 47. Uma em Anápolis e a segunda em Goiânia. Em Anápolis, no EstádioManoel Demóstenes. União Operária e Atlético Goianiense empataram em 0 x 0. A segunda partida, no Estádio Pedro Ludovico em Goiânia, Atlético Goianiense 2 x 3 União Esportiva Operária. Os gols dos anapolinos foram de Laudo, Chupeta e Moreno. Surpreendentemente, a União Operária sagrou-se a primeira campeã goiana.
Relata Álvaro Fernandes de Castro, que defendeu a União Operária: “O Atlético Goianiense, após o jogo, foi todo desmontado. Seus principais atletas foram vendidos: Tocafundo foi para o Palmeiras, Dida para o São Paulo, Bicho para Curitiba, Washington(Goiano) para o Corinthians, Paulo para a Itália. Quando Tocafundo nos entregou a taça de campeão, passou mal e desmaiou.” Não acreditava no acontecido!
Em outubro de de 1947, endividado e com a saída da familia Puglisi, o Annápolis Esporte Clube caminhava para o desaparecimento. No dia 21 de novembro jogou sua última partida ganhando por 1 x 0 do Goiás, no Estádio Manoel Demóstenes. Nesse jogo o Anápolis encerrou suas atividades esportivas com Thomaz, Ginu e Arnaldo; Nego, Iberê e Bento; Odir. Ítalo, Juvenal, Raul e Laudo. Em 1ºde janeiro de 1948 surgiu em substituição ao Anápolis Esporte Clube a Associação Atlética Anapolina. A primeira partida da Anapolina no Manoel Demóstenes foi em 18 de abril de 1948, quando venceu o Ferroviário de Araguari por 3 x 2.
Sob a presidência de João Beze, surgiu em abril de 1951 o Anápolis Futebol Clube em substituição à União Esportiva Operária. Em 10 de junho de 1951, foi disputado o primeiro clássico Anapolina x Anápolis, com vitória da rubra por 2 x l. Júlio Puglisi e Zeca Puglisi marcaram os gols da rubra...
Ainda no livro "Sou anapolino, com muito orgulho!", em que o médico Wolney Ronaldo Silva escreve a biografia do seu pai, Raul Silva, uma das maiores expressões do futebol anapolino de todos os tempos, relata que, em maio de 1942, o Anápolis Esporte Clube importou 12 jogadores de Ribeirão Preto e região, se transformando na maior expressão do futebol goiano, o Pantera Goiano. Os atletas eram todos profissionais. Ganhavam pequenos salários, mas eram todos profissionais. Apenas Raul Silva, nascido em Anápolis, como atleta amador, depois de muito relutar, fez parte do Pantera Goiano. Mais tarde Arnaldo Vento e Zeca Puglisi integraram a equipe.
Com o afastamento da União Esportiva Operária, o Anápolis Esporte Clube, Pantera Goiano, maior expressão futebolística estadual, arrasava os adversários. O ano de 1943 foi inigualável para uma equipe de futebol. Venceu todas as partidas que disputou: 3 x 2 sobre o Independente de Uberaba; 2 x 1 no Goiânia; 2 x 1 no Atlético Goianiense; 4 x 0 no Goianaz; 2 x 0 sobre o Uberlândia; 1 x 0 contra o Operário de Araguari; 7 x 2 no Goiás; 3 x 0 sobre o Anhanguera de Ipameri; 3 x 2 sobre o Sal Tropeiro de Uberlândia. 4 x 1 no Fluminense de Araguari; 4 x 1 sobre o Atlético Goianiense e 3 x 0 sobre a A.A. Pirenopolina. Fez ainda uma excursão invicta por Uberlândia, Uberaba e Araguari, no Triângulo Mineiro. No retorno goleou todas as equipes de Goiânia. No final de 1945 os jogadores profissionais que defendiam o Pantera Goiano retornaram aos seus estados de origem para disputarem o Campeonato Brasileiro de Seleções. A equipe voltou a jogar com craques anapolinos.
No dia 1º de maio de 1946, Geraldo Rodrigues de Siqueira não se conformando com o desaparecimento da União Operária, encabeçou movimento para o seu retorno. Os trabalhadores atenderam ao seu apelo e a equipe voltou. Dia 17 de abril de 1947, em partida amistosa e histórica, Anápolis Esporte Clube goleou a União Esportiva Operária por 10 x 2.
Ainda em 1947, depois de ser goleada impiedosamente pelo Anápolis por 10 x 2, a União Esportiva Operária, teve que se conformar em participar do 1º Campeonato Goiano de Futebol, disputando a chave do interior. Ao contrário o Anápolis Esporte Clube participou da elite, da chave de Capital. Atlético Clube Goianiense, sagrou-se campeão da Capital. A União Operária foi campeã da chave interiorana.
A diferença de categoria entre as duas equipes finalistas era colossal. O Atlético Goianiense possuía vários jogadores cobiçados pelos melhores time brasileiros. A União Operária era constituída por atletas anapolinos. Foram disputadas duas partidas entre os vencedores das duas chaves para que fosse conhecido o campeão goiano de 47. Uma em Anápolis e a segunda em Goiânia. Em Anápolis, no EstádioManoel Demóstenes. União Operária e Atlético Goianiense empataram em 0 x 0. A segunda partida, no Estádio Pedro Ludovico em Goiânia, Atlético Goianiense 2 x 3 União Esportiva Operária. Os gols dos anapolinos foram de Laudo, Chupeta e Moreno. Surpreendentemente, a União Operária sagrou-se a primeira campeã goiana.
Relata Álvaro Fernandes de Castro, que defendeu a União Operária: “O Atlético Goianiense, após o jogo, foi todo desmontado. Seus principais atletas foram vendidos: Tocafundo foi para o Palmeiras, Dida para o São Paulo, Bicho para Curitiba, Washington(Goiano) para o Corinthians, Paulo para a Itália. Quando Tocafundo nos entregou a taça de campeão, passou mal e desmaiou.” Não acreditava no acontecido!
Em outubro de de 1947, endividado e com a saída da familia Puglisi, o Annápolis Esporte Clube caminhava para o desaparecimento. No dia 21 de novembro jogou sua última partida ganhando por 1 x 0 do Goiás, no Estádio Manoel Demóstenes. Nesse jogo o Anápolis encerrou suas atividades esportivas com Thomaz, Ginu e Arnaldo; Nego, Iberê e Bento; Odir. Ítalo, Juvenal, Raul e Laudo. Em 1ºde janeiro de 1948 surgiu em substituição ao Anápolis Esporte Clube a Associação Atlética Anapolina. A primeira partida da Anapolina no Manoel Demóstenes foi em 18 de abril de 1948, quando venceu o Ferroviário de Araguari por 3 x 2.
Sob a presidência de João Beze, surgiu em abril de 1951 o Anápolis Futebol Clube em substituição à União Esportiva Operária. Em 10 de junho de 1951, foi disputado o primeiro clássico Anapolina x Anápolis, com vitória da rubra por 2 x l. Júlio Puglisi e Zeca Puglisi marcaram os gols da rubra...
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