domingo, 10 de abril de 2011

APA do Ribeirão João Leite modificando comportamentos

A Área de Proteção Ambiental (APA) do Ribeirão João Leite foi criada em 27 de dezembro de 2002, com cerca de 720 km². Dela fazem parte os municípios de Anápolis, Campo Limpo de Goiás, Goiânia, Goianápolis, Nerópolis, Ouro Verde e Terezópolis de Goiás. Sua implantação levou muita intranquilidade aos proprietários rurais da região. Restrições para o livre manejo da terra os revoltaram. Sem uma clara especificação do que se podia ou não ser feito, trouxe descontentamento geral aos hortifrutigranjeiros. A ideia que se tinha é que o proprietário era o dono, mas não mandava. Deram a volta por cima. No momento a APA já está apresentando resultados positivos.

Para driblarem os impedimentos e restrições, criaram o Consórcio Intermunicipal da Área de Proteção Ambiental do Ribeirão João Leite, incluindo produtores dos municípios de Campo Limpo, Ouro Verde, Nerópolis, Terezópolis e Goianápolis. Embora sendo criado só a partir de 2009, o consórcio coleciona grandes vitórias: estradas vicinais dos cinco municípios estão sendo recuperadas, evitando erosões; as nascentes catalogadas para a preservação e recuperação das matas ciliares; construção de aterros sanitários individuais ou compartilhados, como o de Ouro Verde e Campo Limpo de Goiás; produção de hortaliças sem agrotóxicos e luta incansável para a implantação da rede de esgoto sanitário no setor urbano de todos municípios, são algumas das conquistas obtidas.

O consórcio, presidido pelo prefeito de Terezópolis, Uilton Pereira dos Santos, decidiu que por ocasião da Exposição Agropecuária de Goiás, a ser realizada no próximo mês de maio, em Goiânia, neutralizará toda emissão de carbono, produzida pelos animais expostos à feira, plantando árvores na região da APA do Ribeirão João Leite, acima da quantidade do gás emitido. Querem os integrantes do consórcio conscientizar a população que todo empreendimento econômico, que degrade a natureza, seja imediatamente restaurado.

A Área de Proteção Ambiental do Ribeirão João Leite está modificando também a forma de agir dos ceramistas. A região que vai de Anápolis a Ouro Verde é rica em barro para cerâmica. Durante muitos anos as indústrias produtoras de tijolos, telhas, telhões e lajotas extraíram milhares de toneladas de argila de maneira predatória. Retirando o barro, deixando para trás o rastro de destruição. Crateras abertas e abandonadas. Sob a liderança de Laerte Simão, vice-presidente do Sindicato Estadual dos Proprietários de Cerâmicas e proprietário de cerâmica em Campo Limpo, representantes de 30 indústrias de tijolos localizados na APA do Ribeirão João Leite, se reuniram no dia 30 de setembro do ano passado, aderindo ao projeto para elaboração do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), na região. Sem a elaboração do EIA/Rima, as cerâmicas não conseguiriam obter a renovação de licença de funcionamento. Agora só trabalharão nessa atividade as empresas que atenderem o Plano de Manejo Estadual visando a exploração sustentável do minério. O projeto do EIA /Rima foi contratado e pago pelos proprietários das cerâmicas ao custo de R$ 600 mil. Os empresários da APA que não aderirem ao projeto, não terão suas licenças renovadas.

O Sindicer-GO, presidido por Henrique Wilhelm Morg de Andrade, com base no que ocorre na APA do Ribeirão João Leite, decidiu cadastrar todas as cerâmicas do Estado, para que da mesma forma venham o mais rápido possível usar o manejo correto da argila.

Além de Henrique Wilhelm de Andrade, presidente do Sindicer-GO, muito tem trabalhado para mudar os costumes e hábitos dos proprietários de cerâmicas em Goiás, o vice-presidente do sindicato, Laerte Simão. Defensor incansável do desenvolvimento econômico com a preservação do meio ambiente. Para os ceramistas preservar a natureza é obrigação de todos.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O glamour e a realidade da prostituição

Depois do sucesso com seu livro O Doce Veneno do Escorpião, verdadeiro best-seller com mais de 300 mil exemplares vendidos, a ex-garota de programa, Raquel Pacheco, hoje com 26 anos, faz o maior sucesso de bilheteria com o filme de sua história de vida na prostituição. Mais de dois milhões de expectadores já assistiram Bruna Surfistinha. A previsão é que chegue aos três milhões. Um punhado de fatores tem colaborado para isso: a forma espontânea e autêntica de Déborah Secco. Apresenta-se com notável talento artístico. A diferença da história de Raquel em relação a outras prostitutas. Jovens, grande parte dos seus expectadores, querendo saber mais sobre a vida da garota de programas que só teve sucesso como prostituta. Motivos para se assistir o filme não faltam. Corinthianos fanáticos, vibrando com Dentinho, sentado à beira do colchão, apreciando a beleza de Déborah Secco...

Nascida em Sorocaba, interior de São Paulo, Raquel Pacheco foi adotada por uma família da classe média. Tinha uma vida aparentemente feliz e cheia de regalias. Passeava com os pais, ia com a família à praia e estudava nos melhores colégios da cidade. Alegando ser discriminada na escola e ridicularizada pelos colegas, decidiu aos 17 anos abandonar todo conforto do lar que a adotara para ser garota de programa. Até aí nada de extraordinário. Os classificados de quase todos os jornais estão repletos de jovens universitárias se apresentando como acompanhantes, massagitas e para programas. Muitas não abandonaram o lar, mas vieram de outras cidades ou Estados. Alegam aos pais que ganham vida noutras atividades.

O que impressiona nessa história, mais que a interpretação de Déborah Secco, é o fato de Surfistinha não ter sofrido nenhuma agressão ou violência. O filme todo a retrata respeitada, querida, paparicada, desejada e aparentemente feliz. Viveu as aventuras que quis. Verdadeiro mar de rosas. Ganhou projeção na atividade e saiu numa boa. Vida de sucesso e satisfação. Agressões, mesmo que verbais, só das companheiras de profissão e de um parente. Deixou de ser prostituta no instante em que desejou, para casar-se com um ex-cliente. História linda e repleta de glamour. Digna das melhores produções de Hollywood. Sonho que pode induzir milhares de jovens à busca da mesma aventura.

Enquanto Bruna Surfistinha arrasta milhões para conhecerem a vida de sucesso e luxo da prostituta interpretada por Déborah Secco, o rapper paulistano Emicida mostra em seu videoclipe Rua Augusta, o outro lado da prostituição. O lado verdadeiro. Tanto em Santa Efigênia, rua do sexo, em São Paulo, como Vila Mimosa, onde há o maior centro de prostituição no Rio de Janeiro, Emicida mostra imagens reais, impressionantes, de prostitutas narrando seu dia a dia. Reúne depoimentos dramáticos das jovens relatando a violência que sofrem e as mortes que assistem: “Elas trampam com nome falso, ninguém conhece a família delas. O que resta é chamar o IML e enterrar como indigente. Não tem nada de neon nisso”, afirma. Nos versos de Rua Augusta, tema do seu videoclipe, Emicida, enfatiza a vida da garota de programa:

“A maquiagem forte esconde os hematomas na alma. Fumando, calma, ela observa os faróis que vêm e vão. Viver em vão. Os que vêm e não te têm. São, se necessário, homem de bem, fujão. Que não aguentou ser solitário. A mesma grana que compra o sexo mata o amor. Traz a felicidade, também chama o rancor. As madrugas que testemunha. Vermelho sangue na unha. Sem nome, várias alcunhas...”

domingo, 3 de abril de 2011

Precisamos repensar a segurança pública

A questão da segurança pública em Anápolis está chegando ao fundo do poço. Se alguém, integrante da Secretaria Nacional dos Direitos humanos, chegar de surpresa à Delegacia Geral, principalmente à noite, encontrará, sem dúvida nenhuma, pelo menos uma mulher, geralmente usuária de drogas, algemada, sentada à cadeira, passando a noite assim, nessa maneira desumana, aguardando momento de ser deslocada para o presídio de Aparecida de Goiânia. Por certo ficará escandalizada. Não havendo presídio feminino em Anápolis, essa é maneira que são tratadas as detentas. Mas não é só isso. Ai está apenas uma das questões que comprometem o sistema prisional anapolino. Desde o ano passado tem sido debatido o problema, que com R$ 15.000 seria resolvido. Por falta de interesse o assunto não é solucionado, humilhando dezenas de mulheres, geralmente das camadas mais pobres da população, desrespeitando o mais elementar dos direitos da pessoa humana. Presídio que foi construído para abrigar 60 presidiários à disposição da Justiça, na prática abriga mais de 320 presidiários já condenados. Vivem numa situação desumana. Barril de pólvora pronto a explodir a qualquer hora.

O índice de criminalidade, motivado pelo excessivo uso de drogas, principalmente entre os jovens, é cada vez maior. É comum ao andarmos pela cidade encontrar jovens armados, principalmente com facas peixeiras, livremente, sem nenhuma preocupação. A facilidade que encontram para cometer os crimes e deles se livrarem com facilidade, tem servido para o aumento da violência.

Ontem, sábado, dia 2 de abril, a ação dos marginais chegou ao máximo que se pode esperar dos bandidos. Nestor Fernandes de Medeiros, motorista da Rádio Manchester de Anápolis, ao sair da Vila Formosa, onde reside, para pegar a funcionária Renata, da mesma emissora, no Bairro São João, mesma região em que se encontra instalado o Batalhão da Polícia Militar, foi abordado por um cidadão, armado de revolver 38, anunciando ser um assalto:

– Passe os documentos, celular e carteira, rápido! Você é motorista da rádio que critica a gente. Isso é para não falar mais de nós.

Nestor, homem trabalhador, por certo teve todo seu trajeto diário acompanhado pelo bandido que, sozinho, sem veículo, agiu com a certeza da impunidade. O simples assalto já é fato inusitado, por ser praticado contra um motorista cujo carro estampa nas portas da viatura o nome da emissora de rádio. A agressão teve o objetivo de intimidar. Intimidar quem os atrapalha pelo simples fato de noticiar os crimes que cometem. Sabia o assaltante que um motorista de emissora de rádio, de manhã, 6h40, não poderia lhe render bons lucros materiais. O ato teve apenas um motivo: intimidar. O recado foi dado pelo bandido.

Quando até um motorista de emissora de rádio é assaltado à luz do dia, num bairro densamente povoado, bem perto do batalhão que comanda a Polícia Militar, é o fim de tudo. Ou vamos esperar que os bandidos assaltem e prendam integrantes da polícia para reagirmos? Não é só em Goiânia e Entorno de Brasília que a criminalidade cresce. Ela cresce em todo Goiás. É hora de repensar a melhor forma de defender o cidadão goiano. Não se pode esperar mais.